Tecnologia resolve, mas não faz mágica para o SMB

Conforme as empresas de pequeno e médio porte adotam novas tecnologias, digitalizando sistemas e automatizando partes de sua operação, é claro que existem ganhos em termos de produtividade. Mas só o apelo para novos equipamentos, softwares e soluções não é garantia de melhorias no negócio. As empresas, claro, dependerão de seu estado de maturidade administrativa para otimizar os benefícios da tecnologia. "Muitas companhias definem o que é o mercado SMB (da sigla Small and Medium Business) pelo número de funcionários, fórmula que nem sempre pode ser aplicada. Uma empresa de call center, por exemplo, pode ter 500 funcionários e apresentar opções limitadas para implementar novas tecnologias", explica Ana Claudia Plihal, gerente de produto SMB da Microsoft. De acordo com a executiva, podem existir empresas menores, mas que, dependendo do seu ramo de atuação, possam adquirir soluções de ponta, como consultorias ou empresas de engenharia. "Às vezes, a empresa do SMB adota tecnologias até mais inovadoras e superiores às empresas de grande porte, quer porque atuem em nichos de mercado mais especializados", afirma Renata Gaspar, diretora do grupo de computação pessoal para empresas da HP Brasil. Segundo a executiva um exemplo é a adoção de tecnologias móveis e PDAs que se conectam em redes Wi-Fi (sem fio). "Empresas pequenas podem ter a mesma agilidade de uma grande corporação, se comunicando com agilidade e custos perto de zero, graças aos ambientes sem fio e soluções de VoIP, entre outras tecnologias", afirma Renata. Venda consultiva É claro que é impossível fazer qualquer análise uniformizando o segmento SMB, que compreende empresas de vários portes diferentes. Para Emerson Yoshimura, gerente regional para o Brasil da Linksys, essa fatia do mercado não pode prescindir da ajuda de profissionais especializados que auxilie as pequenas e médias na h ora da compra. "A tecnologia evoluiu e está mais fácil de utilizar, mas isso não exibe a empresa de consultar um vendedor com conhecimento técnico que irá aferir se aquela solução trará ou não os resultados desejados", afirma. Uma divisão da gigante de redes Cisco, a Linksys fornece produtos para usuários domésticos e para o segmento de pequenas e médias empresas e vários de seus produtos foram adaptados para as necessidades típicas de empresas de pequeno e médio porte. Esse foco, aliado à preparação dos canais fez com que a empresa pudesse aumentar o seu faturamento no segmento SMB em 150% nos últimos 12 meses. Simplicidade Para José Antunes, gerente de engenharia de sistemas da McAfee, que fornece sistemas de segurança, outra característica importante do SMB na hora de definir que tecnologia adotar é a facilidade de administração. "Diferente das grandes corporações, que têm uma equipe própria ou prestadores de serviço especializados monitorando o funcionamento de sistemas, no SMB a necessidade é de soluções mais autônomas e que simplifiquem ao máximo o gerenciamento", diz. Ele também destaca que o segmento ainda é muito influenciado pelos produtos voltados a usuários finais. "É um problema de percepção. A pequena empresa ainda se identifica mais com o usuário doméstico", afirma Antunes. Mas são empresas que, conforme crescem, são forçadas a buscar estruturas mais especializadas, e é aí que fatores como produtividade e performance das operações entram na conta dos gestores, pois passam a trazer índices palpáveis do retorno que a tecnologia traz para as empresas. Mudança estrutural A evolução da tecnologia aplicada às pequenas e médias empresas, no Brasil, reflete diversas mudanças estruturais. O cenário presente indica que as empresas estão mais exigentes quanto à aquisição de tecnologia, o que é uma transformação em relação ao que acontecia há dez anos atrás, já que agora elas dispõem de base técnica para saber que tecnologia comprar ou não. Isso não isenta, no entanto, as empresas que fornecem hardware software e serviços de ter pessoal tecnicamente preparado para auxiliar estas empresas no dimensionamento de projetos ou na escolha de soluções. É exatamente este, aliás, o foco de esforços dos grandes fabricantes: o treinamento e a certificação do canal composto por revendas e integradores que darão capilaridade para seus produtos, atendendo as milhares de empresas de pequeno e médio porte que já acordaram para a necessidade de se modernizar e competir entre si e com grandes empresas.

Agencia Estado,

12 Janeiro 2007 | 10h33

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.