Temporais matam 3 no Rio e ameaçam saúde pública

Vigilância Sanitária já está na região para fazer uma avaliaçãoda necessidade de imunização da população

Clarissa Thomé e Alessandra Saraiva, de O Estado de S. Paulo,

20 Dezembro 2008 | 13h28

Os temporais que já deixaram três mortos no Rio estão agora ameaçando a saúde pública das cidades atingidas, todas no noroeste fluminense. Em Campos, começam a ser registrados casos de leptospirose, doença transmitida por uma bactéria presente na urina do rato, e que se alastra com facilidade nas inundações. Os municípios da região são atravessados pelo Rio Paraíba do Sul, que transbordou em diversos pontos, e uma rede fluvial bastante ramificada.      Subiu de cinco para 12 o número de municípios do Rio de Janeiro em estado de emergência devido aos efeitos das fortes chuvas que atingiram a região noroeste do Estado nos últimos dias. No município de Cardoso Moreira foi decretado estado de calamidade pública: 10 mil dos 12 mil habitantes da cidade tiveram perdas ou estão desabrigados.     A Vigilância Sanitária já está na região para fazer uma avaliação epidemiológicada da necessidade de imunização da população e do uso de antibióticos. Um dos maiores perigos, principalmente no município de Campos, é o de registros de casos de leptospirose, doença transmitida por uma bactéria presente na urina do rato, e que se alastra com facilidade nas inundações. Os municípios da região são atravessados pelo Rio Paraíba do Sul, que transbordou em diversos pontos, e uma rede fluvial bastante ramificada. O governador do Rio, Sérgio Cabral, visitou na sexta-feira, 19, pela manhã o município de Itaperuna, no noroeste fluminense, um dos mais atingidas pelas chuvas que deixaram mais de 30 mil pessoas desalojadas e mais de 2 mil desabrigados. Cabral reuniu-se à tarde com secretários de saúde dos municípios alagados para estudar medidas conjuntas de emergência. O efeito dos temporais em Itaperuna foi aumentado com a cheia do rio Muriaé.    O efeito dos temporais em Itaperuna foi aumentado com a cheia do rio Muriaé. Após o encontro o governador afirmou ter pedido ao governo federal o envio de dez caminhões do tipo "unimogs" (de alto desempenho para operações em terrenos íngremes ) e dez barcos. De acordo com Cabral, o ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, informou que a Marinha vai enviar o equipamento pedido além de três helicópteros. Na sexta-feira, um homem não identificado que tentava atravessar um córrego a cavalo em Campos, no sul da cidade, foi arrastado pela força das águas. Seu corpo ainda não foi encontrado. Segundo o comandante da Defesa Civil de Campos, Henrique Oliveira, a força da correnteza vai dificultar a localização do corpo. Desde o último dia 15, a Defesa Civil do Estado do Rio já atendeu a casos que deixaram 71 feridos. "O nível do rio Paraíba do Sul diminuiu, de 11 metros para 10,60 metros", comentou, acrescentando que isso pode dar uma trégua para os moradores da cidade de Campos. Outros rios nas regiões norte e noroeste também transbordaram, como o Pomba e o Carangola. Segundo a Defesa Civil Estadual cinco municípios, todos localizados nas regiões norte e noroeste fluminense, continuam em estado de emergência, devido aos alagamentos: Itaperuna, Lajes do Muriaé, Italva, Cardoso Moreira e Campos dos Goytacazes. Na sexta-feira, 19, a Marinha divulgou uma nota informando que dará apoio à Defesa Civil do Rio nos trabalhos de resgate e no transporte de material. Inicialmente, serão empregados dois helicópteros, dez embarcações e quatro caminhões de 5 toneladas, apropriados para trânsito em terrenos alagados. A chuva também causou transtornos na cidade do Rio de Janeiro. A Defesa Civil Municipal registrou 56 ocorrências entre a manhã de sexta-feira e a de sábado, devido a um temporal que atingiu a cidade.

Mais conteúdo sobre:
Chuva inundações Rio de Janeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.