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Temporão diz que Maia sabia do risco de epidemia de dengue

Mudança de discurso aconteceu depois de Cesar Maia dizer que Temporão ficava 'falastrando' sobre a doença

26 de março de 2008 | 19h 44
Lígia Formenti, de O Estado de S.Paulo

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, abandonou de vez o discurso conciliatório e afirmou que a Prefeitura do Rio há tempos sabia do risco de um recrudescimento da epidemia de dengue. "Não faltou aviso", disse Temporão. A mudança para um discurso mais duro ocorreu um dia depois de o prefeito do Rio, Cesar Maia, afirmar que o Temporão ficava "falastrando". Irritado, o ministro teria afirmado para alguns interlocutores que o prefeito havia sido irresponsável na prevenção da doença.   Veja também:  Especial - A ameaça da dengue Cesar Maia acusa ministério de omissão 'criminosa' por dengue Medo da dengue aumenta procura por repelentes no Rio Temporão critica 'saúde precária' da Prefeitura do Rio PM pode arrombar porta de quem dificultar trabalho de agente Dengue atinge status de epidemia no Rio   Temporão garantiu que Estados e municípios em situação mais crítica haviam sido alertados em outubro sobre a necessidade de se tomar providências para evitar um número alto de casos e mortes. "Expedi ofícios, repassei recursos, treinei pessoal. O Ministério da Saúde, com suas limitações, fez o que deveria ter sido feito", completou.   Em entrevista, o ministro voltou a atribuir o alto número de mortes de dengue no Rio à estrutura ineficiente no atendimento básico. "Falo isso desde que assumi o ministério. Não é coisa nova. O Rio precisa mudar seu modelo de atenção primária", completou. "As críticas para atingir politicamente, essa política com 'p' pequeno, é inaceitável."   O ministro reconheceu que a população do Rio está ansiosa, insegura. E que o importante agora é providenciar maior agilidade no atendimento. Nesta quinta, deverá ser anunciado o efetivo das Forças Armadas destacado para duas ações: o combate ao mosquito transmissor da dengue e o atendimento de pacientes em hospitais de campanha. Por enquanto, a equipe do ministério trabalha com a possibilidade de instalação de três hospitais desse tipo.   Temporão afirmou também que, com o Ministério da Defesa, estuda a possibilidade de o efetivo das Forças Armadas trabalhar durante todo o ano no combate ao mosquito e não apenas durante o período de crise. Isso, porém, ainda não está acertado.   No momento, 1.200 homens do Corpo de Bombeiros atuam no Rio para combater os focos do mosquito. A expectativa do ministério é que até a próxima semana os 660 funcionários de saúde contratados emergencialmente já estejam trabalhando no atendimento de pacientes com dengue.