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Tribunal da ONU condena torturador cambojano à prisão perpétua

03 de fevereiro de 2012 | 10h 21
PRAK CHAN THUL - REUTERS

Um tribunal de crimes de guerra copatrocinado pela ONU sentenciou nesta sexta-feira à prisão perpétua o ex-diretor carcerário do regime cambojano do Khmer Vermelho, ampliando uma pena inicial de 19 anos imposta em 2010, que havia causado indignação entre sobreviventes dos campos de extermínio do governo comunista.

A Câmara da Suprema Corte, examinando o recurso impetrado por Kaing Guek Eav, conhecido como Duch, considerou que o ex-chefe da famosa prisão de Tuol Sleng deveria assumir plenamente a responsabilidade pelas cerca de 14 mil mortes ocorridas no local durante o aterrorizante regime do Khmer Vermelho (1975-79).

"A pena deve ser dura para prevenir contra crimes semelhantes, indubitavelmente entre os piores da história humana", disse o presidente da corte, Kong Srim, ao ler a sentença.

Duch se levantou para ouvir o veredicto e não expressou nenhuma emoção enquanto o juiz recitava os crimes por ele cometido, incluindo torturas, homicídios, execuções e escravizações.

Kong Srim disse que Duch tem um "caráter chocante e hediondo", e administrou uma "fábrica da morte".

Duch, de 69 anos, foi até agora o único ex-integrante do regime a ser condenado pelas Câmaras Extraordinárias do Camboja, que foram criadas em 2005 e já custaram milhões de dólares.

Ele foi condenado a 35 anos de prisão, mas a pena foi imediatamente reduzida para 19 anos por causa do tempo que já passou numa detenção militar. A decisão provocou lágrimas e raiva entre parentes de pessoas mortas em Tuol Sleng, uma antiga escola transformada em prisão para quem fosse apontado como dissidente do regime.

Duch, que se converteu ao cristianismo e passou duas décadas escondido no interior do Camboja, recorreu da primeira sentença por entender que a corte não tinha competência para julgá-lo, uma vez que ele não pertencia ao primeiro escalão do regime maoísta comandado pelo ditador Pol Pot, que morreu impune em 1998.


Tópicos: CAMBOJA, KHMER, CONDENADO*