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Ucrânia acusa Rússia de invasão após comboio humanitário cruzar fronteira

DMITRY MADORSKI - REUTERS

22 Agosto 2014 | 10h 21

A Ucrânia declarou nesta sexta-feira que a Rússia lançou uma “invasão direta” contra seu território após Moscou enviar um comboio de caminhões com suprimentos de ajuda humanitária para o leste ucraniano, onde rebeldes separatistas enfrentam forças do governo. 

Moscou, que enviou milhares de soldados para perto da fronteira entre os dois países, alertou contra qualquer tentativa de “interromper" o comboio, embora não tenha especificado quais ações preparou caso as forças de Kiev intervenham. 

Kiev, por sua vez, disse que forças ucranianas não atacariam o comboio e permitiu que avançasse para evitar "provocações”.

“A Ucrânia vai interagir com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha para que nós, da Ucrânia, não estejamos envolvidos em provocações de que detivemos ou utilizamos forças contra os veículos dessa chamada ajuda”, disse a jornalistas o chefe de segurança nacional ucraniano, Valentyn Nalivaychenko.

O conflito na Ucrânia levou as relações entre Moscou e o Ocidente ao pior patamar desde a Guerra Fria, com países ocidentais impondo sanções sobre Moscou, o que resultou em retaliação do Kremlin.

A Otan destacou tropas extras para seus Estados membros que fazem fronteira com a Rússia.

Uma testemunha da Reuters disse que cerca de 70 caminhões pintados de branco, parte de uma coluna de cerca de 260 veículos que estavam esperando na fronteira por permissão de entrada há mais de uma semana, haviam cruzado para solo ucraniano e iam em direção ao bastião rebelde de Luhansk, escoltados por um pequeno número de combatentes separatistas pró-Moscou. 

Autoridades ucranianas disseram que o número de caminhões que cruzaram variava de 34 a 90 veículos.

“Eles passaram para dentro da Ucrânia sem permissão ou participação da Cruz Vermelha Internacional ou de guardas de fronteira (ucranianos)”, disse a jornalistas o porta-voz militar ucraniano Andriy Lysenko.

O chefe de segurança Nalivaychenko afirmou: “Consideramos isso como uma invasão direta da Rússia à Ucrânia".

Questionado se a Ucrânia utilizaria ataques aéreos contra o comboio, Nalivaychenko disse que: “Contra eles (caminhões), não."

Mas autoridades ucranianas disseram que o comboio passaria por uma área com fogo rebelde e, portanto, sua segurança não poderia ser garantida.  

A região de Luhansk tem sido um grande foco de conflito nos últimos dias entre rebeldes, os quais declararam uma república independente, e forças ucranianas. A própria cidade de Luhansk tem visto batalhas em suas ruas. 

Moscou havia expressado, anteriormente, impaciência com a demora de liberação na fronteira. 

“Todas as desculpas para atrasar a ajuda foram exauridas”, disse o ministério de Relações Exteriores da Rússia em um comunicado. “O lado russo tomou a decisão de agir."

“Nós alertamos contra quaisquer decisões de interromper esta missão puramente humanitária”, acrescentou o ministério.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha, ao qual tanto Moscou quanto Kiev concordaram que deve supervisionar o comboio, disse não estar escoltando o carregamento “devido à volátil situação de segurança”. 

(Reportagem adicional de Natalia Zinets, Alessandra Prentice e Richard Balmforth, em Kiev)