Último elo de fibra ótica será encaixado na África

Região oriental africana é a única isolada das comunicações e será a última fronteira rumo a um mundo inteiro conectado

Xan Rice,

25 Agosto 2008 | 00h00

Eles são as artérias do mundo moderno. Estendendo-se por dezenas de milhares de quilômetros sobre o leito oceânico, a vasta teia de cabos intercontinentais submarinos trouxe a possibilidade de acesso à internet barato de alta velocidade e de chamadas telefônicas nítidas de longa distância para todas as principais partes do mundo. Com exceção de uma. A África Oriental continua a ser a única costa habitada e de grandes proporções excluída da rede global de fibras óticas. Mas isso está prestes a mudar. Em outubro, as primeiras seções de um novo cabo submarino de quase 15 mil quilômetros serão carregadas num navio e então estendidas sob o Oceano Índico. O mundo inteiro estará, enfim, conectado. Hoje, moradores do oriente africano dependem inteiramente de caras conexões via satélite e pagam algumas das taxas mais pesadas para acessar a internet ou telefonar. As universidades locais recebem uma cobrança até 50 vezes maior pelo acesso à internet do que a universidade americana típica, tornando a pesquisa online lenta ou impossível. "Imagine ter todos os estudantes de Oxford tentando acessar a internet através de uma única conexão doméstica britânica", disse Calestous Juma, um professor queniano que chefia o Projeto de Ciência, Tecnologia e Globalização da Universidade Harvard. "É assim que as coisas são para a maioria dos estudantes na África." O cabo Seacom de 322 milhões de libras, pertencente em sua maior parte a investidores africanos, vai se estender para o norte a partir da África do Sul, passando por Moçambique, Madagáscar, Tanzânia e Quênia antes de se dividir para chegar à rede internacional na França e na Índia. Com previsão de início do funcionamento para junho de 2009, ele será seguido de perto por mais dois cabos da espessura de um dedo, incluindo o ambicioso Sistema de Cabos Submarinos da África Oriental (EASSy), que irá conectar 21 países na metade oriental da África uns aos outros e ao resto do mundo. "Pela primeira vez as pessoas na região terão uma rampa de embarque para a estrada da internet mundial", diz Alan Mauldin, da TeleGeography, uma firma americana de telecomunicações. "A velocidade com que o conhecimento se move na África atualmente é de 10 quilômetros por hora. Agora, chegarão na velocidade da luz", afirma Juma.

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