Um boteco à madrilenha

MARIPILI - Sabor  e simplicidade, jeitão de tasca, preços amigos Quando vamos a um restaurante de estilo gastronômico dito estrangeiro, o que procuramos? Apenas uma refeição saborosa a preço justo, com pratos que identificamos como representativos daquele tipo de cozinha, seja ela francesa, italiana ou japonesa? Ou queremos algo que nos pareça fiel, autêntico, que dê a sensação de viajar, de sair das fronteiras? Foi com essas questões que cheguei ao Maripili, uma tasca espanhola aberta recentemente na região de Santo Amaro. O primeiro alívio: constatar que o lugar é despretensioso como um boteco madrilenho e passa longe da estética de espaço temático. O segundo: o despojamento não é só truque decorativo, mas sim a expressão do que se faz na cozinha. Tapas e pratos simples, cheios de tipicidade. Um exíguo menu que não tem nem sangria nem paella (com todo respeito ao prato). Mas por que essa proposta? E por que ali, um bairro fora do circuito? Nada de muito misterioso. O empresário e enófilo Dario Taibo, filho de galegos, queria somente reconstituir ambientes e sabores que experimentou cotidianamente nos dez anos em que viveu em Madri. E assim foi concebido o Maripili – diminutivo de Maria del Pilar, nome escolhido por ser desbragadamente espanhol. Na entrada, fora, há duas lousas com pratos do dia. Dentro, outro quadro traz mais sugestões. A recomendação, então, é começar com um copo de vinho ou de jerez para acompanhar embutidos como fuet e sobrasada, tudo a preço camarada. Prosseguir com entradas como um gazpacho rico e de consistência espessa, e apreciar uma fatia alta e tenra da tortilla de batata, como as que se comem nos balcões de tapas da Espanha. E se preparar para clássicos da cocina casera, como os callos à madrilenha, a dobradinha cozida numa salsa bem picante. Ou o bacalhau à viscaína, de sabor piscoso, com um apurado molho de pimentões. Os preços vão de R$ 5,50 (a tortilla) a R$ 24,75 (o bacalhau), com vários itens por volta de R$ 15. Revezando-se entre balcão e salão há apenas uma atendente, a madrilenha Olga. Já à frente do fogão está Alberto Navarro, nascido em Aranjuez, que trabalhou com o aclamado Paco Roncero no Terraza del Casino, em Madri. Foi passando uma temporada no Brasil que ele conheceu Taibo. Interessado em voltar às receitas tradicionais, o chef assumiu a cozinha do Maripili. E sem fazer concessões ao gosto local – o que, em nome da tipicidade, é um bem que se faz ao cenário gastronômico da cidade. Maripili R. Alexandre Dumas, 1.152, Sto. Amaro, 5181-4422 11h30/21h (sáb. 11h30/16h; fecha dom.) Cartões: M e V Cardápio: de tasca, com embutidos, tapas, cozidos Avaliação: para quem quer dar um pulinho em Madri

Luiz Américo Camargo,

27 Agosto 2009 | 12h08

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