Um vinhedo que fica logo ali na esquina

Criado entre tonéis e barricas, Luiz Alberto Barichello fez uma vinícola para resgatar aromas da infância. Mantém o vinhedo em plena Porto Alegre e comanda a empresa com uma lentidão que o distancia do primo veloz e famoso

Márcio Pinheiro, especial para O Estado,

03 Dezembro 2009 | 11h54

LUIZ ALBERTO - De executivo do setor financeiro a dono de uma vinícola administrada com zelo artesanal A pressa sempre foi inimiga deste Barichello. Com vagar e paciência, o primo mais distante (e menos famoso) do piloto de Fórmula 1 vem tocando com calma uma vinícola em meio à vida urbana de Porto Alegre. Aos 62 anos, o ex-executivo do setor financeiro Luiz Alberto Barichello ("com um ‘r’ a menos, como manda a grafia correta", explica) está desde 2003 à frente da Villa Bari, um delírio artesanal que ocupa seu tempo e imaginação. Na Vila Nova, bairro localizado a cerca de 15 km do centro da capital gaúcha, Barichello ocupa uma área que comprou em 1978 e desde então tem ampliado. Hoje são 22 hectares. A decisão tomada há três décadas, quando a região era ainda inóspita, saldava, de certa forma, uma dívida que ele tinha com a própria infância. Os avós de Barichello chegaram ao Brasil em 1880, vindos de Treviso, na Itália, e se instalaram na Vila de Conde D’Eu, hoje cidade de Garibaldi, a 110 km de Porto Alegre. Seu pai era tanoeiro – profissional especializado no fabrico de barris, pipas ou tonéis para transportar e conservar vinho. "Quis recuperar minha memória olfativa, trazendo de volta aromas que me acompanham desde a infância", diz. Barichello produziu seus primeiros vinhos, a partir de uvas americanas, numa cave rústica de pedras. Há dez anos, começou a plantar viníferas trazidas da Itália, como a Cabernet Sauvignon, a Cabernet Franc e a Merlot. Foi pioneiro, na região, na produção de vinhos feitos com uvas transformadas em passas. A primeira safra foi produzida em 2003 e os vinhos, engarrafados com a marca Villa Bari (Cabernet, Merlot e Gran Rosso). O trabalho é lento e artesanal e, por enquanto, tem trazido mais alegrias que dinheiro. "Meu vinho não é para consumo imediato", avisa Barichello. No momento, ele trabalha a safra 2005 – outras quatro estão armazenadas. Produz, em média, apenas 5 mil a 6 mil garrafas. Vende, de forma restrita, para restaurantes e lojas da capital e da serra gaúcha, além de uma pequena incursão no mercado catarinense e carioca. São Paulo ainda está distante dos vinhos de Barichello. Talvez pelo fato de ele ter escolhido o caminho mais longo. Preferiu passar antes pela Itália, mais exatamente por Negrar, na Província de Verona. É lá que, em parceria com o produtor Luca Fedrigo, Barichello produz há quase uma década vinhos com a marca L’Arco, exportados para os Estados Unidos, Canadá, países escandinavos e Brasil. Em 2005, passeando pela Toscana, o empresário encantou-se com uma pequena quinta que, por coincidência, estava à venda. Comprou e plantou ali videiras para a produção de Chiantis Classicos e Supertoscanos. E Barichello não para aí. Em parceira com investidores argentinos e italianos ele tem planos de ocupar uma área de 2 mil hectares, na região vinícola argentina de Mendoza, próxima à Cordilheira dos Andes, para plantar uvas – e também azeitonas e cerejas. Na vizinhança, quer desenvolver um condomínio vinícola, com pequenos lotes para interessados em manter o próprio vinhedo e produzir vinhos.   Perfeccionismo Produção de apenas 5 a 6 mil garrafas por ano é vendida para lojas e restaurantes da capital e da serra gaúcha

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