Um vinho feito parcela a parcela

Vinho não se faz sozinho. Muitas vezes pode parecer que basta ter uvas e deixá-las fermentar para que apareça. Por trás desta simplicidade há intensa intervenção humana na escolha de parcelas, ponto de maturação, diferentes madeiras, tempo de estágio nas barricas e tudo mais. Entretanto, o mais decisivo é a variada gama de terroirs com o que transmitem às uvas. No caso do Don Melchor, considerado um dos grandes Cabernets chilenos, a origem são os 114 hectares (dos quais 7 plantados com Cabernet Franc) do vinhedo chamado Puente Alto, no Vale do Alto Maipo, a 650 metros de altura, sob o intenso sol do verão chileno, amenizado pelas noites frias com os ventos vindos da Cordilheira dos Andes. É interessante e muito educativo ver um enólogo em ação. Enrique Tirado, responsável pelo vinho, trouxe na mala para uma demonstração prática os produtos saídos das diferentes partes dos vinhedo que irão compor o corte final. Esses líquidos são a prova de que o solo influi muito nas videiras. Alguns poucos metros de distância num terreno são capazes de dar em uvas tão diferentes que nem parecem a mesma coisa. Eis a arte do corte para a elaboração de um grande vinho, explicada pelo autor. LUIZ HORTA

O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2008 | 03h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.