Ir para o conteúdo
ir para o conteúdo
 • 
Você está em Notícias >
Início do conteúdo

Vale espera esclarecimento da China sobre meganavios-fonte

03 de fevereiro de 2012 | 19h 41
SABRINA LORENZI - REUTERS

O regulamento do governo chinês sobre o acesso de grandes navios aos portos do país não define o tamanho das embarcações que poderão sofrer tais restrições, afirmou uma fonte da Vale, sinalizando que a mineradora ainda aguarda uma posição mais clara da China sobre o tema.

A maior produtora de minério de ferro do mundo e dona dos maiores cargueiros do planeta desconsidera a informação dada pela entidade que representa a indústria naval chinesa, de que as restrições atingirão a atracação de cargueiros com capacidade acima de 350 mil toneladas , informou a fonte à Reuters, pedindo anonimato.

"Não usamos essa fonte para avaliar o que acontece na China. A China Shipowners Association (Associação dos Armadores Chineses) não tem poder para legislar nesse assunto e assumidamente representa um poderoso lobby local contrário aos navios de grande porte e portanto não é confiável como fonte de informação", disse.

"O regulamento do Ministério do Transporte que está escrito em chinês não faz nenhuma referência ao tamanho do navio", acrescentou. O Ministério do Transporte daquele país comunicou nesta semana que restringiria a entrada de navios maiores que o permitido pelos regulamentos.

A medida é vista por analistas como uma forma de proteger a indústria naval chinesa, que tem sido afetada pelo cenário econômico adverso e pela queda das taxas de frete.

A poderosa associação de armadores da China foi fortemente contra a entrada dos gigantes navios da Vale no ano passado, os maiores do mundo com mais de 380 mil toneladas. O grupo teme que as embarcações da Vale possam monopolizar o lucrativo negócio de transporte de minério entre China e Brasil.

VALE CAUTELOSA

Duas fontes do governo brasileiro disseram que a Vale não deverá buscar auxílio diplomático para resolver um provável impasse com o governo chinês. Um desgaste político com a China, dizem, seria definitivamente prejudicial para a companhia, que tem na China o seu principal comprador de minério de ferro.

A decisão da China é técnica e não política, segundo disse nesta sexta-feira a assessoria de imprensa da companhia.

A Vale informou em comunicado nesta semana que os portos asiáticos ainda estão sendo preparados para que seus navios aportem em sua capacidade máxima. E que respeitará a legislação do país.

"A adaptação dos portos para receber esses supercargueiros é uma questão eminentemente técnica, tratada em conformidade com a legislação marítima local e internacional, que requer estudos de engenharia detalhados e muitas vezes investimentos adicionais em treinamento dos operadores, reforço dos berços de atracação e dragagem", disse a mineradora.

Em comunicado, a Vale reiterou que seu objetivo com os supernavios é ter uma solução logística eficiente para ligar terminais no Brasil a clientes asiáticos e europeus, com custo menor, e que vai negociar com outros países a possibilidade de atracar as embarcações em mais portos se não conseguir atracar em portos chineses.

A ironia é que a maioria dos supernavios encomendados pela Vale estão sendo construídos na mesma China que acena com limites para sua entrada.


Tópicos: MINERACAO, VALE, PORTO*