Vertical, às cegas... Teve de tudo

Entre as degustações de vinho, teve prova às cegas, vinhos de garagem e vertical (várias safras de um mesmo vinho).

O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2014 | 02h08

A programação começou com produtores de garagem, tema da aula conduzida pelo casal à frente da Enoteca Saint Vin Saint, Ramatis Russo e Lis Cereja. Produções minúsculas e castas pouco comuns são características dos vinhos provados. O tinto Vinha Única "As Bacantes" 2014 mostrou que a Cabernet Franc tem bom potencial de desenvolvimento no País.

Nas duas degustações às cegas, o público pôde exercitar a avaliação de vinhos. A prova de 12 vinhos sul-americanos com preço abaixo de R$ 60 terminou em surpresa: chilenos e argentinos eram favoritos, pois o mercado está mais acostumado a eles. Mas o vencedor foi o uruguaio Garzón Tannat (R$ 55, na World Wine). O brasileiro Alto das Figueiras Merlot (R$ 49, na Sonoma), vindo da Serra do Sudeste gaúcha, ficou em segundo lugar. Em terceiro, o chileno De Martino 347 Vineyards Syrah (R$ 55,60 na Decanter) encantou pelo exotismo.

Já na prova Grandes espumantes nacionais, também às cegas, foram colocadas duas amostras clandestinas: um Champagne (Lanson Black Label, R$ 220, na Casa Santa Luzia) e um Cava (Anna de Codorníu, R$ 94, na Todovino). O vencedor foi o Cava Anna de Codorníu, com 70% de Chardonnay e 30% de castas locais (Xarel-lo e Parellada). Em segundo lugar ficou o Casa Valduga 130 Anos (R$ 75, na Specialitá Bebidas). Os 36 meses de contato com as leveduras da segunda fermentação lhe deram riqueza, complexidade e perlage muito delicado. Em terceiro lugar, mais um espumante produzido no Vale dos Vinhedos, o Miolo Millésime 2009. Aqui o reconhecimento deveu-se à leveza e bom equilíbrio entre notas frutadas cítricas e de fermento (pão tostado e biscoito amanteigado), resultado dos 18 meses "sur lie" (contato com as borras das leveduras). Embora o Champagne e os espumantes Maximo Boschi Extra-Brut Speciale 2008 (R$ 99, na Casa do Porto) e o Estrelas do Brasil Brut Champenoise 2010 (R$ 60, no site Estrelas do Brasil) tenham recebido, individualmente, os elogios mais entusiasmados, no geral, o estilo democrático dos ganhadores recebeu mais votos.

No fim da tarde de sábado, o enólogo Miguel Angelo Vicente Almeida, da Miolo, conduziu uma vertical com todas as safras do Miolo Terroir Merlot. Miguel explicou os desafios para se produzir um grande tinto na Serra Gaúcha e por essa razão, nestes 10 anos só seis safras (2004, 2005, 2008, 2009, 2011 e 2012) chegaram ao padrão para fazer esse rótulo. Foi interessante ver que, mesmo a primeira safra, 2004, ainda tem mais alguns anos de vida pela frente, que 2005 faz jus à reputação de ótima safra para tintos gaúchos e que 2011 promete um grande vinho aos pacientes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.