Virado de banana? Só a convite

Cambuienses dizem que a receita vem do tempo dos bandeirantes. Exagero de doceiro? Pode ser. Mas que o famoso doce de banana é bom demais, é! Tanto que virou patrimônio, defendido com colher de pau e tacho

Cristiana Menichelli ,

30 Julho 2010 | 08h35

 
A quatro mãos. D. Maria e Dedé turraram, mas no fim o virado saiu do jeitinho de Cambuí
 
 
 
Se acontecer de você passar por Cambuí, no sul de Minas, pare e faça uma visita. A cidade fica a 150 quilômetros de São Paulo e o acesso pela rodovia Fernão Dias está em ótimas condições. Esses lugares interioranos guardam pequenas pérolas culinárias. Cambuí tem duas. O famoso doce de leite Portão de Cambuí. E o virado de banana, um doce quase desconhecido, mas que de tão típico acabou sendo inventariado como patrimônio gastronômico municipal. O virado é o doce preferido dos cambuienses, que adoram saboreá-lo no café da manhã ou no lanche da tarde.

 

A origem da receita perdeu-se no tempo. Alguns acreditam que ela remonte à época dos bandeirantes. Certo mesmo é que o virado faz parte da vida dos cambuienses desde a fundação da cidade, em 1892.

 

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Receita de Virado de banana

 

Naquela época, a banana, o queijo e a farinha de milho, os três ingredientes principais do virado, eram produzidos e consumidos na região. O costume permanece até hoje. Quem não tem uma bananeira no quintal de casa, vai até a quitanda.

 

O queijo é artesanal, fabricado na zona rural e entregue a cada dois ou três dias, e a farinha pode ser comprada direto da fonte. Em Cambuí há três fecularias.

 

O problema não é chegar a Cambuí, mas comer o virado. Por alguma estranha razão, não se acha o doce para vender em canto nenhum. Faz parte da tradição local saboreá-lo em casa. A boa notícia é que você não terá dificuldades para conhecer um cambuiense. Hospitaleiros e bons de prosa, ficam animados quando o assunto é o virado de banana e fazem questão de prepará-lo só para você.

 

PATENTEADO

Foi preciso um "olhar estrangeiro" reconhecer o valor cultural do virado de banana para Cambuí legitimar seu doce. Em 2002, o fotógrafo paulista Pedro Martinelli foi à cidade fazer uma pesquisa sobre comida da roça e conheceu o virado. "Ele não chegou a prová-lo, mas ressaltou a importância da tradição para preservar a receita", diz a cambuiense Béa Fanucci, que acompanhou o fotógrafo durante a visita. Membro do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí, Béa participou do processo de registro do virado. Desde 2006, o doce está no livro de patentes do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA). "Agora o virado de banana é patrimônio gastronômico da cidade", diz Béa. O próximo passo será o tombamento da receita.

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