Vítimas da perseguição no Rio tentaram avisar a polícia

Soldado e vigilante conversavam na porta de casa quando foram rendidos por três assaltantes na zona norte

CLARISSA THOMÉ, Agencia Estado

24 Dezembro 2008 | 14h09

Testemunhas disseram nesta quarta-feira, 24, que os dois rapazes mortos durante perseguição policial em Brás de Pina, zona norte do Rio, na tarde de terça, teriam avisado à polícia que havia inocentes no veículo seqüestrado por ladrões, mas ficaram no meio do fogo cruzado. O soldado do Exército Rafael Oliveira dos Santos, de 21 anos, e o vigilante Paulo Marcos da Silva Leão, de 26, conversavam na porta de casa quando foram rendidos por três assaltantes. Eles foram colocados no carro de Leão e levados como refém. Houve confronto com uma equipe da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae). Os rapazes e os assaltantes morreram.   O delegado Alan Turnowski, chefe das Delegacias Especializadas do Rio, disse que os policiais agiram corretamente na abordagem aos assaltantes. Segundo Turnowski, os agentes da Drae não sabiam que havia inocentes no veículo. Eles se dirigiam para Vicente de Carvalho, onde dariam reforço a uma operação da delegacia daquele bairro, quando foram avisados por motoqueiro de que o carro havia sido roubado. "Poderia ser previsível que havia inocentes, mas eles não atiraram durante a perseguição. Só houve o confronto no valão", afirmou. Turnowski disse desconhecer a versão de que os rapazes teriam tentado avisar que não eram criminosos.   A equipe da Drae passava pelo local quando foi avisada do assalto. Houve perseguição. O carro, que era dirigido por um dos assaltantes, caiu num valão. Segundo a polícia, os criminosos, armados de duas pistolas e um revólver, fizeram 50 disparos na direção dos policiais. Os agentes revidaram com fuzis. Santos foi atingido no peito e no braço e morreu no local. Leão, ferido na nunca, no ombro e na lombar, chegou a ser socorrido, mas morreu no Hospital Estadual Getúlio Vargas. O comerciante José Antônio Bezerra dos Santos, de 46 anos, estava trabalhando quando foi avisado sobre o que ocorreu com o filho. "Cheguei no valão e ainda vi o corpo sendo retirado", contou. Ele ficou revoltado com a ação policial. "Os policiais estão atirando sem nenhuma noção. A questão agora é que morreram dois inocentes. Isso está acontecendo em todos os casos. A polícia só pensa em matar", afirmou o comerciante. As famílias dos dois rapazes mortos estudam processar o Estado. O soldado, que tinha um filho de um ano, havia perdido os documentos. Até as 11h30 de hoje, a família não havia conseguido liberar o corpo no Instituto Médico Legal (IML). O corpo de Leão está previsto para ser sepultado na tarde de hoje, no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência.

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