Volta a cerveja da Guerra Civil

A curva de crescimento das cervejarias artesanais nos Estados Unidos cresce como espuma no copo. Até os anos 1980, quando o governo americano regularizou a produção artesanal, havia cerca de 40 microcervejarias. Trinta anos depois, elas passam das 2 mil, segundo a Brewers Association. Não que os dados tenham o mesmo efeito inebriante das cervejas, mas com eles na cabeça fica fácil entender a dimensão do Great Beer American Festival, evento cervejeiro que começa hoje e vai até domingo em Denver, no Colorado.

DANIEL TELLES MARQUES, O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2012 | 03h12

Na sua 31ª edição, o festival reúne mais de 580 dos milhares de microcervejarias, 50 mil amantes da bebida e mais de 2 mil rótulos de escolas e estilos dos mais variados.

"A percepção era de que cervejas feitas nos Estados Unidos eram apenas as lagers e light lagers. Agora, essa percepção está mudando para uma gama de sabores deliciosos em muitos estilos", disse Julia Herz, diretora de programação da Associação Brewers ao Huffington Post.

O interesse por novos sabores é tanto que há espaço para recriações históricas como a Antietam Ale, receita baseada numa cerveja amarga de estilo inglês comum em 1861 e refeita em homenagem ao aniversário de 150 anos da Guerra Civil americana.

A receita, descoberta pelo pesquisador do Museu Nacional de Medicina da Guerra Civil Terry Reimer, segue os padrões da época e foi produzida pela Monocracy Brewing Company, com o primeiro lote pronto para a distribuição desde o final de setembro. No rótulo, os produtores dizem que "é justo para Antietam Ale ter um amargor inglês clássico. A batalha fez a Inglaterra abandonar seu plano de mediação entre o norte e o sul. Ao contrário da mediação indesejável, esta Ale é bem equilibrada e com aroma de malte, de cor vermelho-rubi e fiel às cervejas da Guerra Civil". É a chance de os separatistas se manifestarem politicamente no norte dos EUA e sem precisar ir às ruas.

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