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Zeca Pagodinho ajuda moradores de Xerém, no Rio

03 de janeiro de 2013 | 18h 17
ANTONIO PITA - Agência Estado

Dono de um sítio em Xerém famoso pelos churrascos com roda de samba oferecidos a convidados anônimos e ilustres, o cantor e compositor carioca Zeca Pagodinho passou esta quinta-feira ajudando os moradores que sofreram com a enchente. Embora atualmente viva em área nobre da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, Zeca Pagodinho estava no sítio, que diz ser sua verdadeira casa, desde o réveillon.

A bordo de um quadriciclo, acompanhado da filha Elisa, ele percorreu várias ruas de Xerém. Zeca também usou o Twitter e o Facebook para pedir solidariedade às pessoas. O cantor descreveu a situação na localidade de Hilarino de Souza. "Muitas famílias acabaram. Muita gente pobre, sofredora. Lá só tem um caminho, que está tomado de lixo. É um descaso. Isso dá nojo, nojo dos políticos", desabafou. Uma ponte desabou perto da propriedade do sambista.

Zeca contou que acordou com amigos salvando bichos no quintal. "Era muita chuva, vi toda a sujeira lá em cima. Fiquei ajudando as pessoas a saírem de lá. Juntei o que tinha em casa e fiz uma sopa. Havia cinco cestas básicas que sobraram do Natal. Queria comprar mais, mas está tudo fechado", lamentou. Ele tinha viagem marcada para Orlando, nos Estados Unidos, na noite de quarta-feira (02).

"Vou viajar agora, com a cabeça em Xerém. Eu não perdi nada, talvez uns cabritos, dois bezerros. Isso não é nada. Estou desde as 6h da manhã ajudando as pessoas. Minha esposa levantou às 4h para ajudar. A cada hora chegam amigos, voluntários", afirmou Zeca, que confessou estar com uma "sensação de impotência" diante do drama vivido por tantas pessoas. "Como vai fazer com toda gente de lá? Colocar onde? Tem tanta gente que não quer sair também, gente que comprou móvel novo, ajeitou a casa para o Natal e agora perdeu tudo. Mas não perdendo a vida, tudo bem. Recomeça tudo de novo", disse.

Pela manhã, em entrevista à TV Globo, o cantor pediu providências urgentes às autoridades. "Tem criança desaparecida, tem família soterrada, tem casa que desceu rio abaixo", disse o cantor, que se emocionou ao comentar a devastação na região e disse nunca ter visto temporal de tamanha intensidade. Em 2001, o sambista gravou no sítio o CD "Quintal do Zeca", em que canta com os compositores de seus grandes sucessos, muitos deles artistas desconhecidos do público. Em 1998, Zeca fundou uma escola de música na propriedade.




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