654 mil vagas viram pó em dezembro
O mercado de trabalho formal teve em dezembro o pior desempenho da história, segundo anunciou ontem o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. As demissões superaram as contratações em 654.946 vagas. "Em termos absolutos e relativos, é o pior dezembro da história", admitiu. A série atual inicia-se em maio de 1999, mas dados anteriores, desde 1992, não registram dado pior.
"Já esperávamos o resultado, mas claro que nos desagradou." Com o resultado de dezembro, o número de empregos com carteira assinada criados no ano passado acabou ficando em 1,45 milhão, 10,2% a menos do que em 2007. Até setembro, o governo ainda contava com a possibilidade de criação de 2 milhões de vagas em 2008.
Lupi levou os dados logo pela manhã ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou a elaboração de medidas para estimular a indústria de transformação, a mais afetada pela crise.
Segundo o ministro, o presidente está "muito preocupado". "Nada nos assusta mais do que o desemprego." Lula voltou ontem a discutir o problema das demissões ao receber os presidentes das centrais sindicais.
A indústria de transformação perdeu 273.240 vagas, 41,7% do total de dezembro. Houve perdas fortes também na agricultura e nos serviços. Até o comércio, que nos últimos anos sempre tinha aumento de vagas em dezembro, perdeu 15 mil postos no mês passado.
"O grande foco é a indústria de transformação, e estamos trabalhando para definir políticas públicas para a área", disse Lupi, sem detalhar as medidas. Serão pelo menos duas, e terão como foco a geração de empregos. Lupi informou que os setores de calçados, borracha e moveleiro têm sido atingidos pela concorrência com importados. Mas não respondeu se o governo estudaria alguma forma de restringir a entrada desses produtos no mercado brasileiro.
A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis foi citada como exemplo de medida que tem dado certo. "Tive informação que a venda de carros, na primeira quinzena de janeiro, foi muito próxima à da primeira quinzena de janeiro do ano passado", disse Lupi. Ele acrescentou que, em razão desses dados, as montadoras teriam desistido de mais demissões.
Ao voltar hoje das férias, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deverá receber um estudo mapeando as demissões de dezembro. A análise está sendo elaborada pelo secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa. Mantega deverá levar os dados ao presidente Lula.
A possível redução na taxa de juros, na reunião de hoje e amanhã do Comitê de Política Monetária (Copom), também pode amenizar os efeitos da crise no emprego.
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