
A Grécia e a 'troica'
O salvamento da Grécia sofreu um atraso. Apesar de os três partidos que formam a coalizão governamental terem apresentado a Bruxelas um plano de austeridade atroz, a "troica", que reúne o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) ainda não acionou seu plano de ajuda que inclui, em particular, o perdão de 100 bilhões de dívidas com bancos europeus e uma ajuda de 130 bilhões a Atenas.
A "troica" é intransigente. A Grécia terá de se esforçar mais. Uma nova reunião terá lugar na quarta-feira, 15 de fevereiro, e só então ela decidirá se vai tirar a Grécia da enrascada ou não.
A título de informação, essa palavra, "troica", é figura frequente no vocabulário político. Quando alguma coisa não vai bem, nomeia-se uma "troica". Na verdade, há muito tempo que o termo é utilizado. Ele significa que três personalidades ou três países se reúnem para superar um problema.
O nome é russo, claro. Seu primeiro emprego remonta a 1923, quando Trotsky se opôs à linha bolchevista e formou-se uma "troica" para resolver o impasse. Essa "troica" era formada por Zinoviev, secretário do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), Kamenev e Joseph Stalin. Uma turma de causar arrepios! O fim de semana será decisivo. Ele promete ser quente na Grécia.
Sindicatos convocaram uma greve geral para sexta-feira e sábado, uma manifestação está prevista na frente do Parlamento no momento em que os deputados estarão analisando o plano de austeridade do governo. O voto de cada partido será acompanhado pelos cidadãos gregos. Os deputados votarão com a faca no pescoço porque há eleições legislativas marcadas para abril.
Um partido preocupa: o partido de direita Nova Democracia, que está na frente das pesquisas de opinião e participa do governo atual de Lucas Papademos. Ora, o chefe da Nova Democracia, Antonis Samaras, apesar de ter assinado o plano de austeridade, parece tentado a "tirar seu time".
Ele teve direito a uma advertência solene do ministro de Finanças, Evangelos Venizelos (socialista), que, após Bruxelas, disse: "É preciso que o partido conservador decida se quer que a Grécia continue na zona do euro. E ele precisa dizê-lo claramente".
É um tabu que cai. Embora vozes se interroguem há meses sobre a permanência da Grécia na zona do euro, essa foi a primeira vez em que um ministro evocou a possibilidade. É preciso dizer que mesmo em Bruxelas, nos círculos da Comissão Europeia, a exasperação aumenta.
As pessoas se chocam ao ouvir diplomatas refinados relaxando a linguagem: "Meu caro, veja, estamos cheios dos subterfúgios desses malditos gregos".
Outros funcionários de alto escalão comentam: "Não se pode continuar a bombear. Há um momento em que o capitão diz: 'Todos para os escaleres, é preciso abandonar o navio'". Em Bruxelas, até se forjou um nome para designar essa eventualidade: "Grexit", palavra fabricada de duas outras, "Grécia" e "Exit" (saída).
Paralelamente, alguns economistas sustentam que a Grécia faz, com certeza, um esforço imenso que fere as classes médias, mas estaria protegendo algumas potências influentes. Duas dessas potências são apontadas: a Igreja Ortodoxa, cujos bens e propriedades são imensos, e os armadores gregos, que estão entre as maiores fortunas do mundo (isso é contestado, é bom que se diga).
Outro sinal: há muito tempo os políticos explicaram que uma saída da Grécia do euro seria uma tragédia não somente para a Grécia, mas para toda a zona do euro. Hoje, um novo discurso tem circulado: a saída da Grécia do euro seria uma tragédia para a Grécia, mas certamente não para a zona do euro.
Todos esses sinais convidam ao pessimismo. Na verdade, eles parecem ser enviados mais para "dramatizar" a situação e, com isso, dobrar a vontade dos gregos e fazê-los aceitar o rigor extremo que a Alemanha e os países do norte querem lhes infligir.
Conclusão: neste fim de semana a Grécia vai ficar prensada entre a rua e a "troica". Resultado do braço de ferro: aguardem a próxima terça-feira. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
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