
A inflação e o Copom
06 de março de 2013 | 2h 12
Celso Ming - O Estado de S.Paulo
Fossem outros os tempos, todos saberiam que na reunião de amanhã o Copom puxaria os juros implacavelmente para cima. Agora, no entanto, persistem as dúvidas sobre qual é de fato o compromisso do Banco Central: se conduzir a inflação para dentro da meta ou se criar condições adicionais para cumprir o frustrado "pibão" da presidente Dilma Rousseff.
Mais complicada ainda, a derrubada dos juros básicos (Selic) para 7,25% ao ano se transformou numa espécie de tabu da atual administração, no sentido original da palavra: uma vez violado, coisas terríveis podem acontecer - é o que parecem pensar. Caso fosse por aí, seria melhor deixar tudo como está.
Uma comunicação clara, não sujeita a exegeses da hora, poderia até mesmo compensar a insegurança passada pela ambiguidade de objetivos perseguidos. Mas nem a isso o Banco Central se dá ao trabalho. Desde outubro, quando baixou a Selic de 7,50% para 7,25% ao ano (veja a trajetória dos juros no gráfico ao lado), passa o recado de que os juros permanecerão onde estão "por um período de tempo suficientemente prolongado". Pretendeu, evidentemente, dizer que não mexeria neles meses a fio. Ninguém poderia mesmo entender que, cinco meses depois, o Copom poderia desistir do que disse e voltar a subir os juros. Mas qualquer analista admite agora que o Banco Central pode estar revendo tudo, inclusive a intenção de manter os juros parados. O compromisso com o conteúdo dos comunicados anteriores parece relativo e cambiante.
Ou seja, o próprio mercado compreende que o Banco Central vem sendo surpreendido pelo comportamento dos preços e conserva em relação a eles uma atitude vacilante. Às vezes, por exemplo, passa indicações de que usa o câmbio para ancorar a inflação; logo em seguida, após protestos do ministro da Fazenda, Guido Mantega, admite que há limites para enfrentar o problema com derrubada das cotações da moeda estrangeira. Outras declarações são no sentido de não haver muito o que fazer para enfrentar a piora da inflação, porque tende a recuar espontaneamente, a partir do segundo semestre - em parte, graças aos bons serviços da safra agrícola recorde. Ao mesmo tempo, o controle da inflação tem a ajuda inestimável de outras áreas da política econômica: desempenho mais responsável da administração das contas públicas; achatamento das cotações dos combustíveis; congelamento dos preços no transporte público das grandes cidades; derrubada das tarifas da energia elétrica, etc.
As coisas se complicam ainda mais quando se sabe que o Banco Central não mira mais o centro da meta de inflação, de 4,5% neste ano. Ficou claro que a referência passou a ser o teto, de 6,5%, já admitida a área de escape. Decisões assim elevam o nível de risco assumido pelo Banco Central.
No próximo dia 8 a inflação em 12 meses poderá chegar ainda mais perto dos 6,5% ao ano e ficar por aí também por um período de tempo suficientemente prolongado. E, nesse caso, não se saberá se os agentes econômicos e os fazedores de preços terão confiança para esperar suficientemente até que os preços voltem para os trilhos.
Mais complicada ainda, a derrubada dos juros básicos (Selic) para 7,25% ao ano se transformou numa espécie de tabu da atual administração, no sentido original da palavra: uma vez violado, coisas terríveis podem acontecer - é o que parecem pensar. Caso fosse por aí, seria melhor deixar tudo como está.
Uma comunicação clara, não sujeita a exegeses da hora, poderia até mesmo compensar a insegurança passada pela ambiguidade de objetivos perseguidos. Mas nem a isso o Banco Central se dá ao trabalho. Desde outubro, quando baixou a Selic de 7,50% para 7,25% ao ano (veja a trajetória dos juros no gráfico ao lado), passa o recado de que os juros permanecerão onde estão "por um período de tempo suficientemente prolongado". Pretendeu, evidentemente, dizer que não mexeria neles meses a fio. Ninguém poderia mesmo entender que, cinco meses depois, o Copom poderia desistir do que disse e voltar a subir os juros. Mas qualquer analista admite agora que o Banco Central pode estar revendo tudo, inclusive a intenção de manter os juros parados. O compromisso com o conteúdo dos comunicados anteriores parece relativo e cambiante.
Ou seja, o próprio mercado compreende que o Banco Central vem sendo surpreendido pelo comportamento dos preços e conserva em relação a eles uma atitude vacilante. Às vezes, por exemplo, passa indicações de que usa o câmbio para ancorar a inflação; logo em seguida, após protestos do ministro da Fazenda, Guido Mantega, admite que há limites para enfrentar o problema com derrubada das cotações da moeda estrangeira. Outras declarações são no sentido de não haver muito o que fazer para enfrentar a piora da inflação, porque tende a recuar espontaneamente, a partir do segundo semestre - em parte, graças aos bons serviços da safra agrícola recorde. Ao mesmo tempo, o controle da inflação tem a ajuda inestimável de outras áreas da política econômica: desempenho mais responsável da administração das contas públicas; achatamento das cotações dos combustíveis; congelamento dos preços no transporte público das grandes cidades; derrubada das tarifas da energia elétrica, etc.
As coisas se complicam ainda mais quando se sabe que o Banco Central não mira mais o centro da meta de inflação, de 4,5% neste ano. Ficou claro que a referência passou a ser o teto, de 6,5%, já admitida a área de escape. Decisões assim elevam o nível de risco assumido pelo Banco Central.
No próximo dia 8 a inflação em 12 meses poderá chegar ainda mais perto dos 6,5% ao ano e ficar por aí também por um período de tempo suficientemente prolongado. E, nesse caso, não se saberá se os agentes econômicos e os fazedores de preços terão confiança para esperar suficientemente até que os preços voltem para os trilhos.
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