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A Rio+20 e o mundo de Clarice

20 de junho de 2012 | 3h 04
JORNALISTA, É DIRETOR DO BRAZIL INSTITUTE DO WOODROW WILSON INTERNATIONAL CENTER FOR SCHOLARS, EM WASHINGTON - O Estado de S.Paulo

Análise: Paulo Sotero

As críticas que permeiam a cobertura da imprensa internacional e parte da brasileira sobre a Rio+20, que a presidente Dilma Rousseff inaugura hoje, faz lembrar a atmosfera que prevaleceu às vésperas da Eco-92, de cuja cobertura participei como correspondente deste jornal em Washington. Tendo atuado numa das mesas do Fórum de Sustentabilidade Corporativa, que reuniu nos últimos dias presidentes, executivos e representantes de governos e de organizações cívicas, creio que o ceticismo, sempre saudável, contém uma dose de miopia, senão de má vontade.

A Rio+20 começa num ambiente fértil de gente motivada e de ideias inovadoras para enfrentar os complexos desafios do desenvolvimento sustentável que estão diante de todos nós. Os brasileiros, mesmo os bem informados, talvez não sintam a mudança porque, a despeito do muito que o País avançou como democracia e sociedade nas últimas duas décadas, o ambiente político nacional dominado por cachoeiras e mensalões lembra o clima de escândalo que marcou a abertura da Eco-92 e levou ao impeachment do presidente da República alguns meses depois.

Ainda assim, e mesmo que não se espere da Rio+20 nada comparável às históricas convenções do clima e da biodiversidade que resultaram do conclave mundial de 20 anos atrás, as discussões propiciadas pelo Fórum de Sustentabilidade e as dezenas de debates realizados no Rio desde a semana passada, a maioria de ótima qualidade, sugerem que a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável começou a produzir bons efeitos antes mesmo de começar.

O ambiente econômico hostil trazido pela crise global não inibiu líderes de empresas a debater publicamente com governos e ONGs os difíceis temas da sustentabilidade e, mais que isso, a assumir publicamente compromissos pelos quais certamente serão cobrados. Tratam-se de compromissos que eram simplesmente impensáveis na Eco-92, quando o próprio conceito de sustentabilidade apenas começava a ganhar conteúdo. "As empresas compreendem que o meio ambiente e as questões sociais são parte das preocupações de risco gerencial", disse o diretor executivo do Pacto Global das Nações Unidas, o alemão Georg Kell, ao abrir o Fórum. O pacto, lançado no ano 2000, define compromissos em 8 grandes áreas e tem hoje 45 empresas globais signatárias. "No Rio de Janeiro, estamos defendendo o investimento em bens públicos globais e os valores universalmente reconhecidos das Nações Unidas."

No debate que moderei, o presidente do SK, o terceiro maior conglomerado empresarial da Coreia do Sul, Tae-won Chey, reconheceu que as corporações se envolvem em atividades cívicas em parte por uma questão de imagem. A SK, cujas 86 empresas faturam US$ 97 bilhões por ano, dedicou US$ 300 milhões em 2012 a vários projetos educacionais e ecológicos. Chey alertou, no entanto, para os limites da chamada responsabilidade social corporativa, afirmando que ela não é sustentável e precisa ser repensada e incorporada ao modelo de negócios das empresas como investimento e não mais como custo. "Precisamos ir além da filantropia e construir a empresa social como um vetor importante da inovação em política social", disse. Uma mensagem particularmente forte, dada na conclusão dos debates pela ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, diretora da ONU Mulheres, aqueceu meu coração. "A igualdade de gênero tem de estar no centro da agenda da sustentabilidade", disse ela. Explico: duas semanas atrás, ganhei minha primeira neta. A Clarice nasceu em Missoula, Montana, lugar cuja beleza cênica disfarça a realidade do colapso ecológico provocado pelo modelo de exploração selvagem de seus recursos naturais. É o modelo falido, que não pode ser reproduzido nos anos à frente, quando o mundo incorporará mais 2 bilhões de habitantes, sem falar das legiões de pobres, a maioria mulheres, na América Latina, a África e Ásia que precisam conquistar o sagrado direito de se alimentar, estudar e ter uma vida digna e frutífera. É sobre esse mundo novo a ser imaginado e inventado, o mundo que legaremos aos nossos filhos e netos, entre eles a Clarice, de que tratarão os líderes reunidos a partir de hoje no Rio de Janeiro.




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