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Abilio Diniz negocia acordo para se tornar presidente do conselho da BRF

Empresário entraria no lugar do atual presidente, Nildemar Secches; governo já foi consultado sobre a troca

09 de janeiro de 2013 | 2h 03
MELINA COSTA, RAQUEL LANDIM - O Estado de S.Paulo

O empresário Abilio Diniz está negociando um acordo para assumir a presidência do conselho de administração da Brasil Foods (BRF), empresa resultante da fusão entre Sadia e Perdigão. Ele entraria no lugar de Nildemar Secches, responsável pelo crescimento da Perdigão e que costurou a sua fusão com a concorrente. Segundo o 'Estado' apurou, representantes do governo Dilma foram consultados sobre a possível mudança.

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Abilio pode ser apresentado pelos fundos Previ, Petros e Tarpon, os principais sócios da BRF - Filipe Araujo/Estadão
Filipe Araujo/Estadão
Abilio pode ser apresentado pelos fundos Previ, Petros e Tarpon, os principais sócios da BRF

No dia 9 de abril, acontecerá a reunião de conselho da BRF, que a cada dois anos discute a troca ou a recondução dos conselheiros da empresa, incluindo seu presidente. O nome de Abilio pode ser apresentado pelos fundos Previ, Petros e Tarpon, os principais sócios da BRF.

Abílio comprou recentemente R$ 60 milhões em ações da companhia por meio do fundo Santa Rita - uma participação ainda insignificante da BRF, mas, segundo fontes próximas à negociação, ele pretende chegar a até R$ 2 bilhões em ações, o equivalente a pouco mais de 5% do valor de mercado da BRF.

Para Abilio, assumir a presidência do conselho da BRF seria uma boa forma de sair da disputa que trava com o sócio francês Casino no Grupo Pão de Açúcar desde junho do ano passado, quando entregou o controle da empresa fundada por seu pai, embora tenha se mantido como presidente do conselho de administração. A disputa começou em junho de 2011, quando Abilio fez uma tentativa de fusão entre o Pão de Açúcar e o concorrente Carrefour no Brasil. O Casino, que seria diluído dentro da varejista, barrou o negócio.

A tentativa frustrada gerou uma polêmica nacional porque, no início, contava o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que chegou a anunciar que havia se comprometido a analisar um aporte de R$ 4,5 bilhões na fusão entre a rede de Abilio e os negócios do Carrefour no País. Diante da repercussão negativa, o BNDES desistiu do negócio.

Apoio. Fontes próximas a Nildemar Secches dizem que ele sente que seu papel na Brasil Foods já foi cumprido após a fusão entre Sadia e Perdigão. Secches estaria hoje demonstrando mais entusiasmo com outras funções nos diversos conselhos de administração em que participa. O empresário também não teria mais o mesmo apoio na Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que sofreu uma importante mudança de gestão. Secches era próximo ao ex-presidente do fundo, Sérgio Rosa.

Com 8% de participação na Brasil Foods, o Tarpon vinha demonstrado insatisfação com a atual gestão e é próximo de Abilio - o fundo foi um acionista relevante do Grupo Pão de Açúcar. Se ocorrer, a troca na presidência do conselho de administração da Brasil Foods pode significar uma profunda mudança na gestão da companhia. O atual presidente, José Antonio do Prado Fay, foi escolhido por Secches e é muito ligado a ele.

Governo. No final do ano passado, Abilio se encontrou com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e falou do assunto. Segundo o Estado apurou, ele também teria tratado do tema com outros auxiliares da presidente Dilma Rousseff. "As intenções de Abilio não são hostis. É uma troca negociada com o Nildemar Secches", disse uma alta fonte do governo federal. "Abilio é um empresário conceituado nesse ramo e pretende colocar dinheiro do bolso na empresa", completou.

Os dois maiores acionistas da Brasil Foods são fundos de pensão de empresas estatais. A Previ, fundo dos funcionários do Banco do Brasil, possui 12% da companhia, seguida pela Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás, com 10%. Procurados, Abilio, BRF, Tarpon e Previ não se manifestaram. / COLABOROU MÔNICA CIARELLI







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