Adolescente sobrevive à queda de avião no Índico
Jovem foi encontrada entre destroços da aeronave, que transportava 153 pessoas; Airbus da empresa iemenita havia sido banido na França
Uma menina de 14 anos foi encontrada viva ontem em meio aos destroços do avião que caiu horas antes no Oceano Índico, perto das Ilhas Comores, na costa leste da África. Até a noite de ontem, a adolescente era a única sobrevivente entre as 153 pessoas que estavam a bordo do Airbus A-310, da Yemenia, companhia aérea estatal do Iêmen.
Veja especial com os piores acidentes aéreos desde os anos 70
O governo de Comores e funcionários da Yemenia confirmaram que a jovem - uma comorense, segundo a Reuters - está internada em um hospital de Moroni, capital do arquipélago. "Seu estado de saúde não é preocupante", disse a porta-voz do Crescente Vermelho em Comores, Ramulati Ben Ali. Cinco corpos também foram resgatados.
Pela manhã, relatos vindos de Comores - uma ex-colônia francesa próximo à Ilha de Madagáscar - afirmavam que um menino de 5 anos também havia sobrevivido. No entanto, funcionários da companhia aérea não confirmaram a informação e disseram que perderam contato com o escritório local por causa do mau tempo.
O voo partiu de Paris, fez escala em Marselha, na costa francesa, e pousou em Sanaa, capital do Iêmen. Lá, os passageiros trocaram de avião e embarcaram no Airbus A-310, que fez uma escala em Djibuti, antes de seguir para Comores. Entre os passageiros, havia ao menos 66 franceses, além de canadenses, etíopes, marroquinos, iemenitas e palestinos.
Com a queda do avião da Air France, próximo a Fernando de Noronha em 1º de junho, já são dois acidentes com aeronaves Airbus em um mês. O avião da Air France era um modelo A-330 e fazia a rota Rio-Paris.
Segundo a Yemenia, o avião iniciou o processo de pouso, mas teve de interrompê-lo. A companhia culpou o mau tempo pelo acidente, dizendo que havia "uma forte ventania" no momento da queda.
Autoridades francesas, no entanto, discordaram da justificativa da Yemenia. Dominique Bussereau, ministro do Transporte, disse que o avião foi banido do território francês. "O A-310 em questão passou por uma inspeção em 2007 e foram encontradas diversas irregularidades", disse Bussereau. "A questão é: você pode recolher pessoas na França de uma maneira correta e depois colocá-las em um avião que não segue todas as regras de segurança?"
O ministro de transporte do Iêmen, Khaled al-Wazeer, disse que o avião passou recentemente por uma inspeção feita por técnicos da Airbus, que não encontraram nenhum problema.
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