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15 de Abril de 2010

 

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Aéreas estrangeiras ocupam espaço das brasileiras em voos para a Argentina

Aviação. Com a determinação do governo argentino em não elevar a frequência de voos das companhias brasileiras para o país, demanda excedente vem sendo suprida por empresas como a Emirates e a Qatar Airways, que estendem seus voos até Buenos Aires

18 de fevereiro de 2012 | 3h 07
GLAUBER GONÇALVES / RIO - O Estado de S.Paulo

Ao embarcar no avião, toalhas aquecidas são entregues por comissários. Com os passageiros todos já acomodados em suas poltronas espaçosas, vinhos tinto e branco são servidos a bordo sem nenhuma cobrança extra. A descrição não é de uma viagem para a Europa, tampouco de primeira classe. Serviços desse tipo estão sendo oferecidos por companhias aéreas asiáticas que pousam no Rio ou em São Paulo, recolhem passageiros e seguem para Buenos Aires.

O movimento tem sido impulsionado por uma "deturpação" no mercado provocada pelo governo argentino. Hoje, as companhias aéreas brasileiras chegaram ao limite de voos permitidos pelo acordo bilateral vigente. Como meio de criar uma reserva de mercado para sua empresa, a Aerolíneas Argentinas, o país vizinho se recusa a ampliar a cota às concorrentes brasileiras. Hoje, as aéreas argentinas utilizam apenas 95 das 133 frequências a que têm direito.

"A restrição do acordo Brasil-Argentina termina desviando o tráfego para empresas de terceiros países, que não têm nada a ver com esse mercado", afirma o superintendente de relações internacionais da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Bruno Dalcolmo. Ele ressalta que, por outro lado, os assentos oferecidos pela asiáticas trazem mais opções de escolha e serviços de alto padrão aos brasileiros.

Os voos saindo do Rio são operados pela Emirates, dos Emirados Árabes Unidos, que oferece primeira classe, executiva e econômica. Quem sai de São Paulo tem a opção de voar pela Qatar Airways. Os acordos bilaterais entre o Brasil e esses países preveem a quinta liberdade, que permite que suas companhias embarquem passageiros no País e os levem para um terceiro destino no exterior. As aéreas brasileiras têm a mesma contrapartida.

"Nesse trecho operamos com uma taxa de ocupação superior a 90%", conta Marcelo Abreu, gerente de vendas da Emirates no Rio. Recentemente, a Turkish Airlines, que voa de Istambul para São Paulo, anunciou que também planeja estender a rota até Buenos Aires, a partir de outubro.

Limite. Impedidas de colocar novos voos para Buenos Aires, um dos destinos mais procurado pelos turistas brasileiros, TAM e Gol veem seus aviões partirem lotados ou quase no limite de ocupação. O resultado dessa combinação de demanda em alta e oferta restrita são passagens mais caras.

Aproveitando-se disso, as empresas que vêm da Ásia vendem passagens do Brasil para Buenos Aires por preços semelhantes ao das aéreas brasileiras na classe econômica, mas com serviço bastante superior. A tática é usada para atingir um novo mercado, cuja viabilidade é ainda incerta, sem a necessidade de lançar um voo direto partindo do oriente.

Atraído pelo preço, Rodrigo Figueiredo Reis, 31, foi à capital argentina em janeiro pela Emirates, saindo do Rio. "Para minha surpresa, era mais barato do que nas companhias brasileiras", conta o arquiteto, que diz ter pago cerca de R$ 800 por bilhetes de ida e volta, incluindo taxas. "Me senti como se estivesse fazendo uma viagem para a Europa em um avião de grande porte", relata.

Entre as empresas brasileiras, o descontentamento com o governo argentino é crescente. Azul e Trip, que operam voos fretados para o país vizinho, já demonstraram interesse em operar regularmente, porém a indisponibilidade de frequências as impede. Mais recentemente, as companhias começaram a enfrentar barreiras até mesmo a voos não regulares.

"Empresas brasileiras vêm tendo problemas com a aprovação de voos não regulares, principalmente no meio do ano, que é quando as estações de esqui abrem", diz Dalcolmo. Segundo ele, o imbróglio deve ser discutido na próxima reunião com as autoridades argentinas, ainda sem data marcada.

A resistência das autoridades argentinas em negociar também tem beneficiado indiretamente a uruguaia Pluna. Hoje, a companhia é a aérea estrangeira que mais tem frequências no Brasil: são 110. A estratégia da empresa consiste em captar passageiros em mais de dez cidades, levá-los a Montevidéu, onde está seu centro de conexões, e de lá distribuí-los em voos para a Argentina.


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