Agosto foi um mês atípico no comércio exterior
Entre julho e agosto a média diária de exportações cresceu três vezes mais que a de importações (8,8% e 2,9%, respectivamente), elevando o superávit comercial de US$ 1,3 bilhão para US$ 2,4 bilhões. A exportação de US$ 19,2 bilhões foi a maior desde setembro de 2008, mas é provável que seja apenas uma melhora episódica, influenciada pelos resultados de uma única semana (16 a 22), em que a média diária atingiu US$ 930 milhões, 13,4% mais do que na semana de 9 a 15.
Tanto neste ano quanto nos últimos 12 meses, as importações aumentaram muito mais do que as exportações. Com isso, no período janeiro/agosto o superávit do comércio exterior caiu de US$ 19,8 bilhões para US$ 11,6 bilhões.
No ano, a queda só não foi maior em razão do bom comportamento de itens como minério de ferro, cujas exportações aumentaram 80,3%, de US$ 8,7 bilhões para US$ 15,9 bilhões, petróleo em bruto, açúcar e celulose. Houve recuo nas vendas de soja em grão e farelo, fumo em folha, ferro fundido, aviões, aparelhos transmissores e receptores e motores e geradores. As exportações de semimanufaturados aumentaram 39,2%; as de básicos, 32,5%; e as de manufaturados, 19,6%.
Já nas importações o crescimento foi generalizado, por categorias de uso. Entre os primeiros oito meses de 2009 e 2010, as importações de combustíveis e lubrificantes aumentaram 64,2%; as de bens de consumo, 50,7%; as de matérias-primas e bens intermediários, 43,7%; e as de bens de capital, 36,4% - esse item cresceu 71,6% em agosto. Por blocos econômicos, destacaram-se as importações da China, com avanço de 62%.
O ponto mais favorável é a recuperação da corrente de comércio (ou seja, da soma de exportações e importações), que atingiu US$ 345,2 bilhões nos últimos 12 meses. É inferior em 7% aos US$ 371,1 bilhões alcançados em 2008, mas aumentou 14,7% em relação aos 12 meses anteriores, entre setembro de 2008 e agosto de 2009, quando foi mais aguda a recessão global. A corrente de comércio é um indicador do grau de abertura da economia e favorece a atração de recursos para o País.
Com a economia interna aquecida e o real valorizado, não se prevê mudança na tendência: a importação continuará a crescer mais do que a exportação, ajudando a elevar o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos, previsto em US$ 50 bilhões neste ano. Nos últimos 20 meses foi muito forte o ritmo das importações de bens duráveis de consumo - cuja produção local é penalizada pela carga tributária.
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