AIEA aprova moção de censura contra o Irã
Agência atômica da ONU obtém apoio de países emergentes para condenar viés militar do programa nuclear iraniano
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou ontem uma moção de censura ao Irã. O país é acusado de não esclarecer pontos de seu programa atômico que, segundo a entidade, tem fins militares. A decisão, aprovada por 32 votos a 2, com 1 abstenção, deve intensificar os esforços dos EUA e aliados europeus por uma quinta rodada de sanções contra Teerã no Conselho de Segurança da ONU (CS).
Na avaliação de diplomatas ocidentais consultados pelo Estado em Nova York, a censura pode ser considerada um divisor de águas pelo apoio não apenas da Rússia e da China, mas também de potências emergentes como Brasil, Índia e África do Sul.
Segundo eles, há uma expectativa de que o País também apoie uma resolução no CS. Em 2010, o Itamaraty votou contra, juntamente com a Turquia, após os EUA rejeitarem o acordo negociado por Brasília e Ancara com Teerã.
Na censura, a AIEA acusou o Irã de não cumprir os termos das resoluções da ONU e expressou profunda preocupação sobre os assuntos não resolvidos, incluindo a necessidade de esclarecimento de alguns pontos a respeito de uma eventual dimensão militar do programa nuclear iraniano.
A AIEA pediu ainda ao Irã que retome o diálogo com a comunidade internacional e apresente avanços até a próxima reunião, em março. Há menos de duas semanas, um relatório da agência acusou o Irã de tentar desenvolver um arsenal atômico. "Embora algumas atividades identificadas no relatório possam ter aplicações civis e militares, outras são específicas para armas nucleares", dizia o texto.
O Irã, que nega as acusações, repudiou a decisão da agência nuclear da ONU e prometeu boicotar as discussões sobre a questão nuclear no Oriente Médio na conferência da semana que vem.
Na votação de ontem, apenas Cuba e Equador votaram contra a censura. Em comunicado, a Casa Branca afirmou que "a AIEA falou de forma unificada ao aprovar uma resolução considerando o Irã responsável por seu contínuo fracasso em cumprir com as suas obrigações internacionais".
Caso saudita. Ainda ontem, a Assembleia-Geral da ONU aprovou uma resolução condenando os planos atribuídos ao Irã para assassinar o embaixador da Arábia Saudita em Washington, Adel al-Jubeir. Foram 106 votos a favor e 9 contra. Outros 40 países, incluindo os membros do Brics e o Mercosul, se abstiveram na votação do texto que tem peso simbólico.
O Brasil justificou a abstenção dizendo que não pode apoiar a resolução, pois existe a presunção da inocência, uma vez que o Irã é apenas acusado pelos EUA e não houve um julgamento do caso ou direito de defesa. O Irã nega a acusação.
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