AL tem entrega de donativos suspensa por irregularidades
Há a suspeita de favorecimento de pessoas que não foram vítimas da tragédia em Murici e Branquinha
Pelo menos dois municípios atingidos pelas enchentes em Alagoas tiveram a entrega de donativos suspensa pela Defesa Civil Estadual. Os desabrigados de Murici e Branquinha, na Zona da Mata alagoana, não receberam os mantimentos ontem por causa de suposto favorecimento a pessoas que não foram vítimas da tragédia. De acordo com o último boletim da Defesa Civil, as enchentes deixaram 39 mortos, 70 desaparecidos e mais de 70 mil desabrigados no Estado.
A Defesa Civil informou que a suspensão dos donativos é temporária e deve durar até que sejam apuradas as irregularidades. Segundo o Corpo de Bombeiros, a distribuição só será reiniciada após novo cadastramento de desabrigados e desalojados. A previsão é que o serviço seja normalizado no início da próxima semana.
Segundo a prefeitura de Branquinha, algumas pessoas estavam fazendo estoque de cestas básicas e água mineral, mas os desabrigados não serão prejudicados porque praticamente todos são assistidos nos abrigos improvisados. Além disso, a Defesa Civil garantiu que a suspensão não afeta os desabrigados porque a quantidade de alimentos já distribuídos é suficiente para os próximos dias.
Escolas destruídas. Levantamento da Secretaria de Educação de Pernambuco - onde 18 pessoas morreram por causa da cheia - aponta que 12 escolas estaduais e municipais foram destruídas e outras 62 ficaram danificadas, afetando pelo menos 45 mil alunos na área mais castigada pelas chuvas e enchentes no Estado. Mas, como algumas cidades terão de ser reconstruídas, o ano letivo está ameaçado.
Segundo a secretária executiva de Educação do Estado, Margareth Zaponi, o número parcial de alunos prejudicados deverá crescer muito, quando for regularizada a comunicação com os 39 municípios mais afetados - 12 em situação de calamidade pública (caso de Água Preta) e 27 em estado de emergência. Das 195 escolas estaduais da região-alvo, 50 foram atingidas - prejudicando 38 mil alunos.
A preocupação maior da secretária é com as cidades que tiveram escolas destruídas. "Teremos de esperar a demarcação da nova parte da cidade a ser construída para identificar onde ficará a escola - para só então as obras serem iniciadas." Sem chuva, é possível construir galpões pré-fabricados para atender os alunos enquanto as novas escolas ficam prontas.
No dia 22, Alagoas suspendeu as aulas nas cidades atingidas.
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