Alunos e professores aprovam uso do jornal em aula
Docentes reconhecem benefício da ferramenta para o ensino, mas dizem que falta capacitação
Melhora da habilidade em leitura, escrita, e formação de senso crítico são algumas das vantagens do uso do jornal impresso em sala de aula. É o que mostra pesquisa qualitativa feita pela consultoria John Snow Brasil a pedido da Associação Nacional de Jornais (ANJ) em sete capitais, incluindo São Paulo, com professores e alunos de escolas públicas e particulares.
A consultoria ouviu 14 grupos de professores e alunos em maio e junho. Entre os docentes, uma unanimidade: o jornal traz benefícios para o processo de ensino-aprendizagem, mas falta capacitação para o uso da ferramenta.
A coordenadora do programa Jornal e Educação da ANJ, Cristiane Parente, diz que o uso da mídia não é tratado em programas de formação de professores ou cursos de pedagogia. "Os professores reconhecem que precisam ser capacitados, pois o jornal pode melhorar o desempenho dos alunos em avaliações como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que exige leitura interpretativa."
Por ser qualitativa, a pesquisa permitiu à ANJ ter acesso aos depoimentos dos entrevistados. Professores relataram casos de empregadas domésticas (mães de alunos) que passaram a levar o jornal já lido pelos patrões para casa, só porque os filhos criaram o hábito na escola.
Para o coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da USP, Ismar de Oliveira Soares, autor do livro Para uma leitura crítica dos jornais, da editora Paulinas, muitas escolas usam o jornal em aula, mas ainda não o vêem como essencial.
A rede municipal de ensino tem sido uma das pioneiras no País na introdução do uso de jornal nas diretrizes curriculares para o ensino da língua portuguesa. Por meio do programa Ler e Escrever, o texto jornalístico é conteúdo básico a ser trabalhado em todas as séries.
A professora Andrea Arruda, da Emef Carlos Pasquale, no Itaim Paulista, zona leste, tem usado o jornal desde o início do ano para auxiliar na alfabetização de 20 alunos que chegaram à 4ª série sem saber ler nem escrever - entre eles crianças com dislexia e déficit de aprendizagem. Os textos concisos, as letras garrafais das manchetes e fotos que retratam o cotidiano atraem os alunos para a leitura.
"No começo, a minha estratégia foi fazê-los discutir o que está escrito. Ao ver que conseguiam, se motivaram a ler mais", conta Andrea.
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