Ano começa com Bovespa acumulando alta e dólar, baixa
Cenário:
O calendário mudou, mas o fio condutor dos negócios continua sendo a crise da dívida soberana europeia. As preocupações sobre a saúde do sistema bancário europeu e o pesado cronograma de emissões de dívida dos países ofuscaram os dados de emprego melhores do que o esperado nos Estados Unidos. A criação de 200 mil vagas em dezembro e a queda da taxa de desemprego de 8,7% para 8,5%, para o menor nível em quase três anos, ficaram em segundo plano. A avaliação é de que a economia norte-americana precisa gerar empregos num ritmo muito maior para voltar ao nível pré-crise.
A disparada do yield (taxa de retorno ao investidor) dos bônus de 10 anos do governo italiano para 7,11%, nível considerado insustentável, mesmo com o Banco Central Europeu (BCE) supostamente comprando bônus de Espanha e Itália nos mercados secundários, reacendeu o sinal de perigo. O rebaixamento da nota soberana da Hungria pela agência de classificação de risco Fitch também engrossou o caldo de preocupações antes dos leilões de bônus de Espanha e Itália na semana que vem. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse nessa sexta-feira que todas as instituições da União Europeia precisam perceber a gravidade da crise. A crise de confiança que domina na Europa tingiu de vermelho a maioria das bolsas da região e também prejudicou o desempenho dos índices acionários em Nova York e no Brasil.
Depois de atingir a máxima do dia em reação aos dados sobre o mercado de trabalho nos EUA pela manhã, a Bovespa perdeu fôlego e visitou o terreno negativo, mas a queda acabou abrindo oportunidades, aproveitadas na hora final da sessão. Assim, o Ibovespa avançou 0,09%, aos 58.600,37 pontos, acumulando ganho de 3,25% na primeira semana de 2012. Já o dólar registra queda de 0,80% no mesmo período. Mas ontem, a moeda dos EUA subiu pelo segundo dia seguido, embora o fluxo cambial tenha sido positivo, acompanhando a valorização da divisa norte-americana ante o euro. O dólar balcão avançou 0,87%, para R$ 1,8540.
O cumprimento da meta de inflação pelo oitavo ano consecutivo - o IPCA de 2011 ficou em de 6,5%, em cima do teto da meta - abriu espaço para o ressurgimento das apostas de mais duas reduções na taxa básica de juros, a Selic, de meio ponto porcentual em janeiro e março. Assim, os investidores entregaram parte dos prêmios adicionados nos últimos dias em decorrência das dúvidas sobre o descontrole da inflação.
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