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Anvisa leva 5 anos para combater micobactéria

Agência ainda estuda regras para reduzir risco de contágio em cirurgia

13 de agosto de 2008 | 0h 00
Lígia Formenti, BRASÍLIA - O Estadao de S.Paulo

Só cinco anos após os primeiros casos de infecção por micobactérias serem registrados é que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) resolveu estudar novas regras para reduzir o risco de contaminação por instrumentos usados em cirurgias. A idéia é exigir um número mínimo de equipamentos para cada instituição, o que ajudaria a garantir que os instrumentos ficassem o tempo necessário em processos de desinfecção.

Desde que os primeiros casos foram registrados, já havia fortes suspeitas de que as contaminações fossem provocadas por falhas de desinfecção de materiais usados em laparoscopias, atroscopias, lipoaspiração. Mesmo assim, a Anvisa restringiu a ação a pesquisas, palestras para médicos e divulgação de comunicados. Ações de vigilância foram concentradas em áreas onde o número de infecções era mais alto.

Os primeiros casos da infecção por micobactéria foram registrados em São Paulo; pouco depois, no Pará. A explosão do número de ocorrências, no entanto, ocorreu no Rio, onde o hospital Pedro Ernesto registrou mais de mil casos e teve de interromper o atendimento. Agora, novos casos são registrados em Minas e Espírito Santo. As consequências da infecção são graves e o tratamento, feito com antibióticos, é caro. "Os ajustes vão sendo feitos de acordo com o tempo, de acordo com o amadurecimento", justificou a diretora-adjunta da Anvisa, Beatriz Mac Dowell. Até agora, mais de 1.900 casos de contaminação foram confirmados. Muitos pacientes tiveram de ser submetidos a cirurgia reparadora. O ministério gastou mais de US$ 1,8 milhão para custear remédios.

A outra medida adotada pela Anvisa foi divulgar uma nota, alertando sobre as suspeitas de que um dos produtos usados na desinfecção dos materiais, o glutoraldeído, era pouco eficaz. "Os estudos sobre o produto começaram ano passado. Mas não há nada que comprove sua ineficiência", afirmou o gerente de investigação e prevenção de infecções da Anvisa, Leandro Santi. Justamente por isso, completou, não há como se pedir a suspensão cautelar do uso do produto. Para ele, o fato de o alerta ter sido realizado somente agora não representa uma falha. "Há implicações econômicas. Não podemos colocar em dúvida um produto se não houver um mínimo de evidência científica", observou.

A pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora do Centro Hélio Fraga, diz que novos casos podem ser registrados, se medidas adequadas não forem adotadas. Leandro Santi garante que a vigilância atuou de forma adequada. "Não podemos ficar 24 horas acompanhando os serviços. A vigilância faz inspeções para ver se a empresa tem condições de atuar e, concedida a liberação, cabe a eles executar o trabalho de forma adequada", rebateu.

SAIBA MAIS

Micobactéria: tipo de bactéria encontrada no solo e na água que causa lesões de difícil cicatrização

Forma de contágio: falhas na esterilização dos equipamentos levam à contaminação

Tratamento: com antibióticos de alto custo, pois os convencionais não fazem efeito