Aos olhos de Obama, Assad era moderado
Dois anos atrás, os Estados Unidos pensavam até mesmo em enviar o ex-presidente Bill Clinton para dialogar com Bashar Assad. O líder sírio, apesar de ter relações estremecidas com os americanos na época, era visto em Washington como um moderado, capaz de exercer uma influência positiva no processo de paz no Oriente Médio.
Apesar de condenar a aliança de Assad com Hezbollah e o Irã, e além de manter sanções ao regime, a administração de Barack Obama enviou uma série de delegações de políticos para se reunir com o líder sírio em Damasco. John Kerry, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, chegou a desenvolver uma amizade pessoal com o governante da Síria. Deputados republicanos e democratas também mantiveram contatos diretos com o regime.
No fim de 2009, Martin Indyk, ex-embaixador dos EUA em Israel e visto por muitos como um dos mais influentes formuladores da política americana para o Oriente Médio, trocou uma série de e-mails com Buthaina Shabaan, que é a principal assessora de Assad em Damasco. O objetivo era enviar Clinton e uma delegação de políticos e autoridades americanas, incluindo o senador Joe Lieberman, também próximo a Israel, para conversar com Assad.
A ideia foi bem recebida inicialmente em Damasco, mas os sírios cancelaram o encontro depois de Clinton desistir de fazer a viagem - ainda assim, iria uma grande comitiva de políticos americanos.
O governo Obama também tentou se aproximar de Assad por meio do envio de Robert Ford para ser embaixador em Damasco, depois de cinco anos sem um representante na Síria. Seu papel era tentar conseguir o apoio de Damasco para a estabilização do Iraque, do Líbano e envolvimento no processo de paz, incluindo uma possível negociação sobre as Colinas do Golan. Em troca, também exigiam que Assad rompesse com o Irã.
Em agosto de 2010, a estratégia parecia ter dado certo, com Assad visitando o Líbano com o rei Abdullah, da Arábia Saudita. Também recebeu em Damasco o então premiê libanês, Saad Hariri, próximo de Washington. Nos meios diplomáticos, circula a versão de que, justamente neste momento, o Hezbollah, e não mais o regime sírio, passou a ser acusado pela morte de Rafik Hariri nas investigações do Tribunal Especial para o Líbano.
Mesmo com as primeiras mortes provocadas pela repressão do regime aos levantes, os EUA ainda não haviam desistido de Assad. A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, chegou a afirmar em março que "muitos membros do Congresso ainda consideram Assad genuinamente um reformista".
Mas os violentos massacres nas semanas seguintes tornaram-se intoleráveis e os EUA desistiram de tentar dialogar com o líder sírio. Hoje, Obama exige que ele deixe o poder em Damasco. / G.C.
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