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Apagão informativo abre espaço para onda de rumores

E-mail vazado pelo WikiLeaks diz que Chávez teria dois anos de vida e câncer teria se espalhado para a medula

29 de fevereiro de 2012 | 3h 03
CARACAS - O Estado de S.Paulo

O silêncio oficial de quatro dias até que o vice-presidente venezuelano, Elías Jaua, fosse a público confirmar a cirurgia do presidente Hugo Chávez provocou uma onda de boatos em Caracas. Rumores sobre o estado de saúde do líder acabaram fortalecidos pelo vazamento de um e-mail da consultoria de risco político Stratfor obtido pelo WikiLeaks. Com isso, cresceram também as informações sobre a inquietação dos militares.

Segundo a correspondência eletrônica divulgada pelo WikiLeaks, uma fonte antichavista venezuelana deu à analista da Stratfor Reva Bhalla detalhes sobre a doença de Chávez. Na troca de mensagens, no entanto, o próprio diretor da Stratfor, George Friedman, alertou para a falta de credibilidade da fonte.

De acordo com o e-mail, o tumor de Chávez começou perto da próstata e se espalhou para o cólon, o que teria motivado um debate entre os médicos do presidente sobre qual tratamento seria mais adequado. Depois disso, o câncer teria se espalhado para o sistema linfático e medula óssea. Ainda segundo a fonte antichavista da Stratfor, teria havido um erro médico na primeira cirurgia à qual Chávez se submeteu em Cuba, coordenada por médicos locais. Uma segunda operação, executada por cirurgiões russos, teria "limpado a área afetada pelo tumor".

O e-mail da Stratfor diz ainda que Chávez é um mau paciente, uma vez que não obedece fielmente ao tratamento. Segundo os médicos cubanos, o venezuelano teria mais dois anos de vida. Para os russos, apenas um.

De acordo com o informe da consultoria de risco, haveria na elite militar uma disposição em abandonar Chávez, caso a situação lhe pareça desfavorável. "São fáceis de subornar. Não se importam com Chávez. Querem manter a boa vida", diz o texto atribuído à fonte da oposição.

O e-mail vazado diz ainda que um dos fortes candidatos para suceder a Chávez, caso o presidente não sobreviva até as eleições de outubro seria o chanceler Nicolás Maduro.

"Maduro é o preferido dos chineses e russos. Ele seria um candidato como Lula, com carisma, mas pragmático", argumentou a analista no e-mail. "A fonte acredita que, após a eleição, Barack Obama poderia tentar se aproximar de Maduro, caso ele seja o presidente."

Ainda ontem, o jornalista venezuelano Nelson Bocaranda - crítico de Chávez - publicou em sua coluna no jornal El Universal que um dos três médicos brasileiros recomendados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria participado da cirurgia de Chávez na segunda-feira. Além do brasileiro, um médico russo teria participado da cirurgia.

Na esteira dos rumores, Bocaranda tinha informado na véspera que os médicos brasileiros que integravam a equipe que cuida de Chávez eram Artur Katz e Paulo Hoff, do Hospital Sírio-Libanês, e Luiz Paulo Kowalski, do A.C. Camargo - todos de São Paulo. Assessores dos médicos, porém, desmentiram a informação. / EFE e REUTERS