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Após 1 ano, Bolsa de NY passa dos 10 mil pontos

Resultado foi festejado tanto por investidores como pelo governo

15 de outubro de 2009 | 0h 00
Gustavo Chacra, CORRESPONDENTE, NOVA YORK - O Estadao de S.Paulo

O Índice Dow Jones, que mede a variação de preços das principais ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York, ultrapassou pela primeira vez em mais de um ano a marca simbólica dos 10 mil pontos. O resultado foi festejado por investidores em Wall Street e até mesmo pelo governo americano, que vê a alta como mais um sinal de que a crise financeira começa a ficar para trás.

Apesar da alta, o índice ainda está a quatro mil pontos de distância do recorde estabelecido em 2007. O Dow Jones havia ultrapassado a marca de 10 mil pontos pela primeira vez há mais de dez anos. Nos anos seguintes, entrou em queda por causa da crise das empresas de internet e o 11 de Setembro, voltando a superar o número simbólico em 2003.

A elevação também significa uma tendência de alta contínua nas ações negociadas em Nova York desde março deste ano, quando o índice atingiu o seu valor mais baixo. Ao todo, o Dow Jones já subiu 3.450 pontos nestes sete meses, em uma elevação de mais de 50%.

A última vez que o índice esteve acima dessa marca foi em outubro do ano passado, quando as ações derretiam depois do colapso do banco de investimentos Lehman Brothers e com a incerteza sobre qual seria o destino da Bolsa de Valores de Nova York. Na época, o governo teve de intervir com uma ajuda bilionária para salvar bancos e outras instituições financeiras.

A movimentação do mercado ontem foi acompanhada como uma partida de futebol pelos investidores, que observavam a cada minuto a variação no índice. Os sites de informação financeira também alertavam que o Dow Jones estava "a uma distância alcançável". No fim do pregão, a alta foi de 1,47%, com o índice posicionado em 10.015,86 pontos.

A elevação das ações foi provocada especialmente porque o JP Morgan anunciou lucros de US$ 3,6 bilhões no terceiro trimestre, que ficou bem acima das previsões (ler ao lado).

Nos próximos dias, outros bancos, como o Goldman Sachs, também devem anunciar resultados positivos, aumentando o Dow Jones. No pregão de ontem, essas instituições financeiras foram as que tiveram as ações mais valorizadas.

Mas, de acordo com analistas, a marca de 14.164 pontos, de 9 de outubro, não será atingida no curto prazo. A marca de 10 mil pontos, segundo analistas, é apenas psicológica e não influencia nas decisões de investidores mais experientes.

Os analistas até advertem que, hoje mesmo, o índice poderá fechar abaixo de quatro dígitos. Outros dizem que, apesar de o número ser apenas simbólico, a quebra da marca pode incentivar investidores menores a voltar para o mercado acionário com a perspectiva de alta das ações.

DÓLAR

O resultado do JP Morgan também mexeu com o mercado de câmbio. O dólar perdeu terreno hoje em relação ao euro e ao iene em paralelo às altas registradas no pregão desta quarta-feira em Wall Street depois da divulgação de dados empresariais e de vendas no varejo nos Estados Unidos mais favoráveis do que o previsto.

A ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também incentivou a oferta da moeda americana ao indicar incerteza sobre o vigor da recuperação dos EUA, disse a diretora de câmbio da AGK Corretora, Mirian Tavares. Segundo ela, isso sugere que poderá demorar o início do ciclo de alta de juros nos EUA e isso contribuir para a fraqueza do dólar. No fechamento da bolsa nova-iorquina, o euro era negociado a US$ 1,4919, ante US$ 1,4829 na terça-feira.