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Após fim de divergências, ''Nova Globex'' prevê receita de R$ 20 bilhões em 2011

10 de setembro de 2010 | 0h 00
Márcia De Chiara - O Estado de S.Paulo

Dois meses depois de resolvido o imbróglio entre as famílias Klein e Diniz que quase pôs fim ao maior negócio do varejo brasileiro, envolvendo a Casas Bahia e o Grupo Pão de Açúcar, a direção da nova empresa, a Nova Globex, anunciou números de vendas e planos para 2011. Também estabeleceu que, até novembro, a estrutura societária da nova empresa será concluída.

 - Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

No primeiro semestre, a Nova Globex teve faturamento bruto de R$ 8,946 bilhões, com crescimento de 26,3% em relação a igual período de 2009, levando em conta as mesmas lojas. A cifra não inclui a operação da internet que também faz parte da nova empresa. Desse resultado, a Casas Bahia, dona de 47% da nova empresa, respondeu por 73,3%. O restante veio do Ponto Frio (23,8%) e do Extra Eletro.

A expectativa é encerrar 2010 com vendas brutas de R$ 18 bilhões, cifra que pode superar R$ 20 bilhões no ano que vem. "É um resultado robusto", disse Raphael Klein , presidente da Nova Globex. Ele observa que a expectativa de crescimento do mercado de eletrônicos, móveis e eletrodomésticos para este ano é de 21,3%. A empresa superou essa média no primeiro semestre.

O foco dos executivos hoje é pôr a casa em ordem e avaliar os benefícios da a união dos dois varejistas para a nova companhia. Nas contas de Enéas Pestana, presidente do Grupo Pão de Açúcar, que detém 53% da Nova Globex, a sinergia do negócio pode variar entre R$ 4 bilhões e R$ 7 bilhões nos próximos dez anos, trazidos a valores presentes.

Por enquanto, o plano de investimentos é modesto e varia entre R$ 100 milhões e R$ 120 milhões para 2011. Os recursos são próprios, voltados para a conversão e reforma de 100 lojas e 15 inaugurações.

Extra Eletro. Entre as mudanças programadas até dezembro, Pestana diz que a bandeira Extra Eletro vai desaparecer e as 47 lojas serão convertidas em Casas Bahia ou em Ponto Frio.

Dentro da nova estrutura, a bandeira Casas Bahia terá foco nas classes de menor renda (B-, C, D e E), enquanto o Ponto Frio estará focada nas camadas de maior poder aquisitivo. "O Ponto Frio será voltado para as classes A e B e será a loja de alta tecnologia, o aspiracional do público da Casas Bahia", disse Roberto Fulcherberguer, vice-presidente comercial da nova empresa.

Isso quer dizer que a Fast Shop, loja de eletroeletrônicos localizada em shoppings e voltada o público de alto padrão, por exemplo, vai ter um concorrente de peso, se depender dos planos da Nova Globex.

Hoje a Nova Globex tem 1.022 lojas, das quais 504 com a bandeira Ponto Frio e 518 com a marca Casas Bahia. São 825 lojas de rua e 197 pontos de venda localizados em shoppings.

Klein observou que as lojas de rua da Casas Bahia vão passar por uma remodelação. "Estamos finalizando estudos para que as lojas sejam reformuladas. Queremos que o freguês enxergue o móvel como se ele estivesse na casa dele."

Os planos da Nova Globex estão ancorados no crescimento da renda, do emprego e, especialmente, no boom imobiliário, que resulta no aumento da demanda por móveis e eletrodomésticos. "O Grupo Pão de Açúcar não está passando por um processo de diversificação dos negócios", frisa Pestana. Segundo ele, a estratégia é intensificar os investimentos em segmentos com potencial de crescimento.

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