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15 de Abril de 2010

 

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Após sete anos de queda, taxa de fecundidade sobe

Embora número de filhos por mulher tenha saído de 1,89 para 1,94, ainda é cedo para confirmar reversão de tendência, diz IBGE

09 de setembro de 2010 | 0h 00
Wilson Tosta e Naiana Oscar - O Estado de S.Paulo

Após sete anos de quedas consecutivas, a taxa de fecundidade voltou a subir no Brasil, no ano passado, chegando a 1,94 filho por mulher, segundo a Pnad 2009. O indicador atingira em 2008 o patamar mais baixo de sua história (1,89).

Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), porém, não é possível afirmar que houve uma reversão na curva de queda iniciada há anos - a variação foi muito pequena, insuficiente para mudar a tendência. O número, afirmou a pesquisadora Maria Lúcia Vieira, ficou "constante". Segundo ela, é comum que entre um ano e outro ocorra uma pequena variação do indicador. "Em 1997, ele já tinha dado uma subidinha, depois voltou a descer. No longo prazo, a tendência é de queda."

O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, reforçou a análise da pesquisadora. Ele explica que, ao se observar a série histórica, é possível afirmar que a década de 2000 registra uma taxa média de 1,9 (filho por mulher). "A diferença só aparece se trabalharmos na segunda casa decimal", afirma.

Essa taxa coloca o Brasil ao lado do Chile e da França, um pouco acima da China, do Reino Unido e do Canadá e abaixo dos EUA e Argentina. Segundo Nunes, o Brasil caminha para um perfil europeu de população, com maior peso de pessoas mais velha. Essa mudança, afirma Nunes, tem ocorrido em ritmo mais acelerado do que o registrado no continente europeu. "Se a gente olha para a Europa, esse é um processo que aconteceu praticamente ao longo de um século, enquanto no Brasil aconteceu a partir da segunda metade do século passado e principalmente dos anos 70 para cá. Nos anos 60, a taxa era de mais de seis filhos por mulher. Hoje, estamos falando de menos de dois", disse.

Até 2008, na casa dos produtores de eventos Letícia Resende, de 33 anos, e Alexandre Di Pietro, de 40, os planos eram de "índice zero" nos próximos anos. Os filhos apareciam apenas em conversas informais do casal, que não tinha intenção de, tão cedo, reforçar as estatísticas de taxa de fecundidade no País.

No fim de 2008, "sem querer", Letícia engravidou. Bernardo nasceu em abril de 2009; nove meses depois, Alice estava a caminho. "Estávamos esperando um pouco mais de estabilidade profissional e as coisas tomaram outro rumo", diz a mãe, grávida de nove meses. "Não houve uma motivação especial."

Mais velhos. A pesquisa constatou que a participação das pessoas com 25 anos ou mais de idade no total da população brasileira vem aumentando ano a ano entre 2004 (53,7%) e 2009 (58,4%). A presença das pessoas no grupo até 24 anos de idade vem diminuindo e caiu de 46,3% para 41,6% no mesmo período. A Pnad constatou ainda que, no ano passado, 11,3% dos brasileiros tinham 60 anos ou mais, ante 11,1% em 2008.

Manteve-se a tendência de envelhecimento geral, com Sul e Sudeste com maiores populações de 40 a 59 anos (25,6% e 26,2%) e de 60 anos ou mais (12,7% e 12,3%). O Norte continuou com a maior concentração de jovens, com destaque para o de pessoas de 5 a 14 anos de idade, que ficou em 21,4% em 2009.

"Já temos hoje três quartos de nossos domicílios ocupados por apenas uma ou duas pessoas", disse Nunes. "Então, posso dizer que a tendência dos domicílios brasileiros é de multiplicidade de organizações familiares. Tem muitos domicílios com pessoas vivendo sozinhas, tanto pessoas idosas quanto jovens que vão em busca de oportunidade de trabalho na própria cidade ou em outras cidades. E também arranjos conjugais se transformando em casamentos."

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