Ir para o conteúdo
ir para o conteúdo
 • 
Você está em Notícias > Cultura
Início do conteúdo

As joias de Millôr

IMS incorpora 7 mil originais que abrangem 75 anos de produção do mordaz artista carioca

18 de março de 2013 | 2h 08
Jotabê Medeiros, enviado especial/ Rio - O Estado de S.Paulo

Millôr Fernandes costumava dizer que "quem tem obra é pedreiro", talvez demonstrando certa ojeriza pela "canonização" de um legado. Com a remoção, esta semana, do acervo que o artista gráfico, caricaturista, cartunista, escritor, dramaturgo e jornalista deixou em sua cobertura-estúdio em Ipanema, fica claro que ele foi um pedreiro pródigo, que erigiu condomínios intelectuais inteiros.

Veja também:
link Os baús do cartunista
link Até moda de luxo e made in China, ou Índia

Ivan Fernandes: 'Desenho do meu pai em leilões é quase uma anomalia' - Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE
Ivan Fernandes: 'Desenho do meu pai em leilões é quase uma anomalia'

Cedido em comodato por 10 anos ao Instituto Moreira Salles (IMS) pelo seu filho, Ivan Fernandes, o acervo pictórico de Millôr Fernandes revela notável capacidade de produção, que compreende sua carreira desde o início, aos 13 anos, até a morte, aos 88 anos, em março de 2012. Há também 44 quadros, cartas, álbuns, uma mapoteca, artigos de jornais e revistas (foi colaborador do Estado entre 1996 e 2000).

"Estou cedendo o acervo sem nenhum tipo de restrição, a não ser a exigência de que seja mantido no Rio de Janeiro", diz Ivan Fernandes, de 59 anos, filho do artista. "Claro que isso não impede de o instituto fazer exposições em qualquer lugar do País ou do mundo." Fernandes acredita que o material inventariado na cobertura possa conter pelo menos 80% do que Millôr produziu, considerando-se a data inicial de 1945 como base.

A obra de Millôr será abrigada, no Instituto Moreira Salles, na reserva técnica da coleção de iconografia, que possui cerca de 2,7 mil imagens (a maioria de pintores-viajantes dos séculos 16 a 19). Millôr trará o setor para os séculos 20 e 21. O Instituto Moreira Salles informou que não pagou pelo arquivo, foi uma cessão voluntária da família. E que não tem intenção de incorporar novos acervos que tenham "algum parentesco" com a produção gráfica de Millôr. A peculiaridade da obra é que atraiu o IMS.

"Ele é tão absolutamente excepcional que não inaugurará nenhuma ala no instituto, será apenas ele. É porque é o Millôr, um cara de exceção: um excepcional artista gráfico, que escrevia muito, que também produzia aforismos e haicais, que também era dramaturgo e um tremendo tradutor", afirma Flávio Pinheiro, superintendente do Instituto Moreira Salles.

Segundo Julia Kovensky, coordenadora de iconografia do IMS e responsável pelo levantamento, nada do que ela encontrou no acervo estava em estado precário. Apenas um ou outro clipe oxidado para ser removido. Millôr mantinha tudo muito bem preservado e organizado, tanto que ela fez em cinco dias aquilo que esperavam que levasse um mês de trabalho. "O que me impressionou foi o volume muito grande de trabalhos, é uma obra monumental", afirmou Julia.

O que não está ali pode ainda ser "garimpado" pelo mundo e vir a integrar o acervo. A família é zelosa para evitar um "derrame" de obras do artista. Na semana passada, por exemplo, surgiu um desenho num leilão no Rio de Janeiro. O proprietário disse que ganhara o desenho de Millôr quando este tinha 15 anos, mas não tinha comprovação disso. Por exigência da família, o desenho foi retirado do leilão. Ivan Fernandes diz que uma das exigências de seu pai quando era ilustrador de jornais e revistas é que seu trabalho fosse publicado apenas uma vez e que lhe fossem devolvidos os originais.

Quanto aos seus quadros, dificilmente poderão aparecer surpresas em sua produção. Fernandes conta que Millôr só fez três exposições individuais na vida: uma no Museu de Arte Moderna, em 1957, na qual não havia venda dos trabalhos (era uma mostra); outra em 1963, na Petit Galeria; e outra na Galeria Grafite, em 1975. Todas essas mostras têm vendas registradas. "Surgir um desenho do meu pai num leilão é quase uma anomalia", diz.

O blog do IMS (www.blogdoims.com.br) publica a partir de hoje depoimentos sobre Millôr Fernandes escritos por Fernanda Montenegro, Luis Fernando Verissimo, Jânio de Freitas, Geraldo Carneiro e Sergio Augusto. No dia 9 de abril, a Fundação Mário Soares, em Lisboa, exporá 30 reproduções de quadros do artista, com consultoria do filho, Ivan Fernandes.





Tópicos: Millôr Fernandes

Estadão PME - Links patrocinados

Anuncie aqui

Fechar

Para continuar lendo o Estadão, faça já o seu cadastro. É rápido e fácil.

Seus dados serão guardados de forma segura e não serão compartilhados.

Quero me cadastrar Sou assinante Já sou cadastrado
SOU ASSINANTE - ACESSO
Esqueci minha senha
JÁ SOU CADASTRADO

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão.

Esqueci minha senha
QUERO CRIAR MEU LOGIN

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha.

ESQUECI MINHA SENHA

QUERO ME CADASTRAR

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo.

CADASTRO REALIZADO

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail .
Clique no link fornecido e crie sua senha.


Importante!
Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail está ativado.

QUERO ME CADASTRAR

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo.