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Ataque a prédios do governo mata 132 no Iraque

Atentado em Bagdá, atribuído à Al-Qaeda, é o maior dos últimos dois anos; mais de 500 pessoas ficaram feridas

26 de outubro de 2009 | 0h 00
Ap, Efe e Afp - O Estadao de S.Paulo

A explosão de dois carros-bomba perto de edifícios do governo deixou ontem pelo menos 132 mortos e mais de 500 feridos no centro de Bagdá, no ataque mais violento no Iraque dos últimos dois anos. Os carros-bomba estavam estacionados e explodiram quase simultaneamente. O primeiro, ao lado do Ministério da Justiça, e o segundo, perto da sede da Prefeitura de Bagdá, a alguns metros do Hotel Mansur. Ambos os edifícios ficam muito próximos da chamada Zona Verde, considerada a região mais segura de Bagdá e onde se concentram embaixadas e vários ministérios. Em agosto, um atentado semelhante contra prédios ministeriais em Bagdá deixou 101 mortos.

Autoridades do governo iraquiano atribuíram o ataque à Al-Qaeda e disseram que seu objetivo era minar os progressos políticos do país, a poucos meses das eleições gerais de janeiro. "Os responsáveis por esses ataques não escondem que desejam atingir o Estado, paralisando o processo político e o que nós estamos construindo há seis anos", disse o presidente iraquiano, Jalal Talabani.

Apesar de o Iraque ter assistido a uma redução significativa da violência com o controle dos conflitos sectários - a maioria entre sunitas e xiitas -, ataques como esse mostram que ainda há enormes deficiências na área de segurança. "Havia sangue pelas ruas e corpos carbonizados", disse uma testemunha.

As explosões ocorreram às 9h30 locais (4h30 de Brasília). Entre as vítimas estão muitos pedestres que passavam pelo local, além de funcionários públicos e hóspedes do Hotel Mansur.

Cerca de 20 carros que estavam estacionados perto dos edifícios atacados ficaram destruídos. Casas, lojas e empresas tiveram seus vidros estilhaçados. O primeiro-ministro Nouri al-Maliki visitou o local do ataque pouco depois das explosões e prometeu levar à Justiça os responsáveis pelas mortes.

Não ocorria uma tragédia desta magnitude no Iraque desde 14 de agosto de 2007, quando mais de 250 pessoas morreram com a explosão de quatro caminhões-bomba na Província de Ninawa, no atentado mais sangrento desde a queda do regime de Saddam Hussein, em 2003.

Perto do local dos atentados de ontem, alguns edifícios oficiais ainda estão sendo reconstruídos após ataques que em agosto mataram 65 pessoas na sede da chancelaria, 28 no Ministério das Finanças e 8 no da Saúde.

A rua em que um dos atentados ocorreu ontem havia sido reaberta para o trânsito de veículos há alguns meses. Os muros foram reconstruídos para ampliar a rua - o que permitia que os carros passassem mais perto dos prédios oficiais. Na época, a reforma foi interpretada por Maliki como um sinal de que havia avanços na questão da segurança.