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Até moda de luxo é 'made in' China, ou Índia

Peças das coleções comerciais são feitas fora; para grifes, qualidade e preço compensam

18 de março de 2013 | 2h 02
Valéria França, Flávia Guerra - O Estado de S.Paulo

Nem a moda de luxo que começa a ser apresentada hoje na São Paulo Fashion Week, no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera, zona sul da capital, escapou das mãos dos chineses. Parte das coleções de marcas como Cavalera, Animale, Ellus e Colcci é produzida fora do País. Além de oferecer mão de obra mais barata e especializada, a China ganha do Brasil em tecnologia, com máquinas mais avançadas neste setor.

Macacão da Ellus de inverno começa a ser produzido agora - José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão
Macacão da Ellus de inverno começa a ser produzido agora

Isso, claro, em geral não aparece na etiqueta. O tão popular "made in China", que faz muitos brasileiros torcerem o nariz, ainda está muito vinculado ao produto barato e de pouca durabilidade. "Mas a China tem hoje as duas pontas da produção, a de menor e maior qualidade", diz Luis Fiod, diretor criativo da Animale, marca com quase 70 lojas espalhadas no Brasil e que muitas vezes fecha parcerias com o Oriente para produzir peças.

Recorrem à Ásia marcas com grande fôlego empresarial e recursos para fazer do desfile um grande show. A Animale, que abre hoje a temporada de moda, às 17 horas, trouxe a top americana Karlie Kloss, a número 2 no ranking do models.com, uma espécie de bíblia da moda.

Bordados. "Temos uma parte da nossa produção sendo feita fora, na China, e uma outra, os bordados, na Índia, que tem mão de obra especializada. São coisas que no Brasil não conseguimos fazer", diz Adriana Bozon, diretora criativa da Ellus.

No Brasil, a marca faz as peças de jeans e a de malha. Já os modelos de alfaiataria, jaqueta e alguns produtos sintéticos e materiais diferenciados - que vêm ganhando espaço significativo nas coleções da grife- são feitos na China. "E vale a pena fazer lá", afirma Adriana.

A Ellus desfila amanhã a coleção de verão. Enquanto isso, a de inverno, que desfilou em outubro, está em produção - parte dela na China. "É uma tendência mundial que já ocorre nos países desenvolvidos há muito tempo e agora caminhamos para isso também", diz Adriana. "China e Índia já fazem para o mercado global. Por que não para o Brasil? Por que não poderíamos nos beneficiar de preços e produtos melhores?"

Democratização. As marcas nacionais estão passando pelo mesmo processo que as internacionais. Grifes como Louis Vuitton, Burberry e Gucci eram exemplos de exclusividade. Hoje, ao se transformarem em grandes holdings, passaram a espalhar seus produtos pelo mundo. E, para isso, também recorrem muitas vezes à China. E, como as grifes brasileiras fashionistas, também não deixam isso claro na etiqueta.

Há duas décadas, a Louis Vuitton tinha duas lojas. Hoje possui 400 unidades espalhadas pelo mundo. Para deixar os produtos mais acessíveis, lançou itens mais baratos, como óculos escuros, cintos, carteiras - artigos que o consumidor compra pelo desejo de carregar o logotipo da marca, mas que não são nada exclusivos.

"Os chineses foram espertos. Quando as grandes maisons começaram a mudar a forma de negócio, ou seja, viraram holdings, muitas costureiras qualificadas desses ateliês foram demitidas. E a China contratou", explica a empresária e consultora de moda Costanza Pascolato. "Agora o país também tem mão de obra barata e especializada."

São as fábricas nacionais que saem perdendo com isso. "O Brasil não tem competência para produzir uma jaqueta de couro sintético", diz Alberto Hiar, dono da Cavalera. "Não tem a ver com o preço. O governo não investe, não dá incentivo para a empresa nacional se modernizar. Estamos anos-luz atrás da China." Paulo Borges, coordenador da SPFW, concorda: "Somos competitivos apenas no que é commodity. Somos competitivos no minério, no frango..."

Colcci terá Paul Walker e 'angel' Erin  

Mesmo perdendo um andar da Bienal e nove marcas, a edição de verão da SPFW promete ser mais badalada que a anterior. As grifes maiores, que pertencem a grandes grupos e permanecem no evento, investiram pesado para colocar na passarela nomes de prestígio.

Na quinta-feira, a Colcci apresenta Erin Heathertone, uma das "angels" da marca de lingerie americana Victoria's Secret, e ex-namorada de Leonado DiCaprio. Na mesma passarela também entra o ator americano Paul Walker, estrela de Velozes e Furiosos, além da beldade nacional Izabel Goulart.

Foco. Hoje, os fashionistas poderão ver Karlie Kloss pela Animale e, amanhã, Lindsey Wixson, pela Ellus. / V.F.






Tópicos: Moda, SPFW2014

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