12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Você está em Economia
Início do conteúdo

Barbosa vê esgotamento da política de estímulos

Na primeira declaração pública desde a saída do governo, ex-secretário da Fazenda diz que 'a dívida bruta cresceu muito e isso não pode continuar para sempre'

21 de setembro de 2013 | 2h 15
CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON - O Estado de S.Paulo

O governo enfrentará nos próximos meses o triplo desafio representado pela inflação represada, o alto custo financeiro dos empréstimos dos bancos estatais e a provável depreciação do real pelo déficit nas contas externas, avaliou ontem o ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda Nelson Barbosa.

Nas primeiras declarações públicas desde que deixou o governo, há quatro meses, Barbosa observou que a política de estimular a economia por meio de financiamentos do BNDES e da Caixa Econômica Federal começa a se esgotar. "Ela foi útil para enfrentar a crise, mas em algum ponto isso tem de terminar", afirmou.

"A dívida bruta cresceu muito rapidamente em anos recentes e isso não pode continuar para sempre. Se alguma coisa é insustentável, ela vai parar em algum momento", declarou em Washington, durante seminário sobre a economia brasileira promovido pelo Brazil Institute, do Wilson Center.

Ressaltando que o governo já iniciou esse movimento, Barbosa observou que a redução dos financiamentos - bancados com recursos do Tesouro - dará folga fiscal necessária para que o governo possa investir na melhoria de serviços públicos demandada pela população nas recentes manifestações.

Versão brasileira. Na avaliação de Barbosa, a expansão do crédito oficial foi a versão brasileira do "relaxamento quantitativo" (injeção de recursos no mercado) adotado pelo Federal Reserve nos EUA para estimular a economia. Limitado no front fiscal pela meta de superávit primário das contas públicas, o governo brasileiro tomou outro caminho, com a emissão de bônus do Tesouro para bancar a expansão de crédito dos bancos estatais.

Mas o custo dessas operações é cada vez maior. Quando capta recursos no mercado, o Tesouro paga juros mais altos do que recebe pelos repasses que faz aos bancos públicos. Segundo Barbosa, isso impediu que o custo efetivo da dívida líquida saísse do patamar de 14%-15% ao ano, apesar de a taxa de juros real ter caído de 6%-8% para a faixa de 2% a 4%.

E o volume de crédito concedido pelos bancos estatais cresceu muito - saiu de menos de 1% do PIB antes da crise de 2008 para 9% do PIB hoje. "O desafio é reduzir esse porcentual gradualmente e levar a economia de volta a seu funcionamento normal", disse.

Barbosa avaliou que o aumento das expectativas inflacionárias em 2011/2012 foi em parte provocado por sinais contraditórios emitidos pelo governo, interpretados pelo mercado como um indício de que a meta inflacionária seria substituída por uma meta cambial. "Isso foi negado fortemente pelo governo, mas levou à elevação das expectativas inflacionárias."

O economista não prevê redução da pressão de preços no próximo ano e acredita que a inflação só deverá "convergir" em 2015 para o centro da meta oficial, de 4,5%. Antes disso, a liberalização dos preços que estão represados vai gerar uma alta temporária na inflação, com impacto na política monetária.

"Os preços de combustível, eletricidade e tarifas de transporte público têm se mantido constantes por muito tempo", ressaltou, apontando a disparidade na inflação de preços controlados (1,5%) e livres (7,5%).

A liberalização afetará a política monetária e deverá desacelerar ou estabilizar o processo de queda dos juros reais, que flutuarão na casa de 2% a 4%, estimou.

'Avenidas'. Na opinião de Nelson Barbosa, a taxa de juros terá de ser o principal mecanismo de combate à inflação, em um cenário no qual o valor do real tende a se depreciar, em consequência do aumento do déficit em conta corrente e da piora dos termos de troca das exportações brasileiras.

Na crítica mais direta à condução da política econômica, Barbosa atribuiu a desaceleração da economia desde o ano passado às políticas fiscal e monetária excessivamente rigorosas de 2011, cujas consequências foram agravadas pela deterioração do quadro externo.

Ele afirmou que, apesar da recente volatilidade, o Brasil tem "avenidas de crescimento" que podem ser exploradas. Entre elas, mencionou a competitividade do setor de commodities, o potencial para investimentos em infraestrutura, o impulso da emergente classe média ao setor imobiliário e a demanda por mais serviços públicos.

Mas, para financiar isso, o governo terá de reduzir o custo representado pelo seu "relaxamento quantitativo" canalizado por meio do crédito dos bancos estatais.





Estadão PME - Links patrocinados

Anuncie aqui


Você já leu 5 textos neste mês

Continue Lendo

Cadastre-se agora ou faça seu login

É rápido e grátis

Faça o login se você já é cadastro ou assinante

Ou faça o login com o gmail

Login com Google

Sou assinante - Acesso

Para assinar, utilize o seu login e senha de assinante

Já sou cadastrado

Para acessar, utilize o seu login e senha

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão

Quero criar meu login

Acesso fácil e rápido

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha

Esqueci minha senha

Acesso fácil e rápido

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo

Cadastro realizado

Obrigado, você optou por aproveitar todo o nosso conteúdo

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail. Clique no link fornecido e crie sua senha

Importante!

Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail esta ativado

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo