BASTIDORES: Docentes duvidam de espaço para discutir projeto de cotas do governo
Os professores das universidades estaduais de São Paulo estão sob pressão. Apesar de as instituições sempre terem sido contrárias à ideia de cotas - abraçadas ao princípio do mérito e excelência - docentes têm dúvidas se há, de fato, espaço para uma discussão deste programa, o Pimesp. Vindo do governador, com o carimbo dos reitores, seria possível rejeitá-lo?
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Realizar os debates nas unidades é mais uma tentativa de reforçar a impressão de que o programa não veio de cima, estratégia que não colou. "Mais uma vez o governador está usando a universidade de modo eleitoral, como fez com a USP Leste", diz um professor de Medicina da universidade. Geraldo Alckmin (PSDB) foi criticado por tocar às pressas a nova unidade para servir de bandeira no pleito de 2006. Vislumbrando a reeleição em 2014, não poderia ficar atrás da lei federal que instituiu cotas em todas as universidades federais.
Alckmin pediu, então, que os reitores elaborassem uma proposta - que primeiro foi anunciada por ele, em solenidade no Palácio dos Bandeirantes, e só depois seguiu para as universidades.
Os Conselhos Universitários têm prerrogativa para deixar tudo como está, amparados na autonomia. Mas na USP, por exemplo, corre a ideia de que simplesmente rejeitar o plano seria vista como um ato de arrogância. Além disso, não há grande disposição de se colocar contra um projeto do governador. Não por acaso, muitos professores que torciam o nariz a qualquer cheiro de cotas têm mudado de ideia e elogiado o programa.
No lançamento do Pimesp, o governador foi taxativo ao dizer que os porcentuais de inclusão previstos seriam atendidos -começando com 35% já no ano que vem, até chegar a 50% de ingressantes de escola pública em três anos. Dar um passo atrás nisso pode ser desgastante. Ainda existe a crítica na universidade acerca do posicionamento do governo em insistir que o Pimesp não significa cota. "Não tem outro jeito de atingir as metas se não por cotas", afirma um professor.
Até o college, visto como pedra preciosa do programa, não é unanimidade. Para alguns docentes, é uma medida "para inglês ver", pois não será crucial para atingir a meta de 50% vagas para escola pública, incluindo porcentual de negros e indígenas. Até porque a primeira turma só será formada depois de dois anos.
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