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Bolsa tem maior nível em 10 meses e flerta com os 66 mil pontos

08 de fevereiro de 2012 | 3h 08
ALESSANDRA TARABORELLI - O Estado de S.Paulo

Cenário:

O suspense em torno do acordo que vai garantir o segundo pacote de resgate financeiro à Grécia monopolizou as atenções durante todo o pregão de ontem e teve efeito direto no euro, que superou a cotação de US$ 1,32. As bolsas norte-americanas subiram levemente, ainda que o acordo tenha ficado para hoje. A reunião do primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, com as lideranças políticas do governo de coalizão para apresentar os termos exigidos pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) foi adiada para esta quarta-feira. O índice Dow Jones subiu 0,26%, enquanto o S&P 500 teve alta de 0,20% e o Nasdaq, de 0,07%.

Nesse cenário, após experimentar uma realização de lucros durante a manhã, a Bovespa foi recompondo as forças e deslanchou à tarde, se aproximando dos 66 mil pontos. O Ibovespa terminou a terça-feira com ganho de 1,06%, aos 65.917,02 pontos, no maior patamar em quase 10 meses - fechou acima disso pela últim vez em 29 de abril de 2011, aos 66.132,86 pontos. O avanço de mais de 10% das ações com direito a voto da Redecard - em reação à informação de fechamento do capital da credenciadora de cartões - e a apreciação dos papéis da Petrobrás ampararam o ganho da Bolsa. O giro financeiro somou R$ 7,96 bilhões ontem.

O fluxo contínuo de capital externo na Bolsa compõe o pano de fundo favorável, mas pressiona o dólar. E, na ausência do Banco Central, a moeda norte-americana reassumiu a trajetória de baixa ontem. Mas, a percepção de que a qualquer instante a autoridade monetária pode atuar impediu uma depreciação mais vigorosa do dólar ante o real. Assim, a divisa dos EUA terminou valendo R$ 1,7240 (-0,17%) no balcão, em linha com o comportamento externo. O depoimento do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, ao Senado norte-americano e a expectativa quanto a um acordo na Grécia pesaram contra o dólar lá fora.

No mercado de juros futuros, a ameaça de queda nas taxas ficou limitada pelos rumores que circularam nas mesas de operação de que o governo estuda um corte do Orçamento inferior a R$ 50 bilhões, o que, na visão dos agentes, praticamente impossibilitaria o cumprimento da meta cheia de superávit primário e dificultaria o controle da inflação. No entanto, como o Banco Central parece disposto a colocar a taxa básica de juros, a Selic, em um dígito, as taxas projetadas pelos vencimentos curtos seguiram em queda, enquanto os contratos mais longos retomaram o patamar de ajuste.


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