Braff discute ética e estética em novo livro

Moça com Chapéu de Palha tem formato de reportagem

Brás Henrique, O Estadao de S.Paulo

20 Fevereiro 2010 | 00h00

Depois que o livro de contos À Sombra do Cipreste (Palavra Mágica, esgotado) lhe rendeu o Prêmio Jabuti, em 2000, o escritor Menalton Braff acelerou o ritmo de sua produção literária. E nos últimos anos ainda reduziu a jornada como professor. Aquele foi o terceiro livro (os dois primeiros foram publicados com o pseudônimo Salvador dos Passos) e, agora, o 13º livro, o romance Moça com Chapéu de Palha (Língua Geral, 216 págs., R$ 34), já está nas livrarias. O gaúcho Braff aborda dois temas que o preocupam: ética e estética. Mas não é só. Um romance juvenil já está impresso e um infantil está na gráfica. Além disso, ele tem quatro livros prontos e iniciou um novo projeto juvenil.

Braff não se prendeu a apenas um estilo literário, aos contos, mesmo com a premiação do Jabuti. Ousou e experimentou o que pôde, tanto em textos para adultos quanto para jovens e crianças. Em Moça com Chapéu de Palha optou pelas abordagens da ética e da estética. No romance, que não é datado e nem tem cidade localizada, o jornalista Bruno, com cerca de 28 anos, se vê numa encruzilhada ao não poder publicar uma reportagem que denunciaria falcatruas de um amigo do dono do jornal onde trabalha. Diante desse dilema, pensa em publicar um livro-reportagem, mas ao iniciar a escrita percebe que o ideal seria lançar tudo num romance.

Bruno, em conversas com a namorada Angélica, pintora, filha de um cientista, discute o estilo de linguagem a ser adotado. "No jornalismo existe o compromisso com a clareza, enquanto na literatura não, pois o texto pode deixar situações ambíguas, com ironias e eufemismos", compara Braff. "Num texto jornalístico, se o repórter usar ironia, o leitor pode entender que é aquilo mesmo, diferente de um romance." Entre discussões éticas, estéticas e filosóficas, o escritor chega à conclusão de que o "compromisso com a verdade" é relativa. Para diferenciar os estilos, o escritor optou por capítulos em forma de reportagem e de ficção. Uma das fontes de inspiração de Braff para esse romance foi o livro Showjornalismo: A Notícia como Espetáculo, de José Arbex.

O lançamento oficial de Moça com Chapéu de Palha será no dia 25, em Ribeirão Preto. E Braff espera que o romance juvenil Copo Vazio (FTD Editora, 176 págs.) logo esteja nas livrarias. Esse livro mostra um adolescente, filho de pais divorciados, que recebe pensão do pai e cuida da mãe alcoólatra, além de seus conflitos com colegas drogados e nerds. O infantil Mirinda (Editora Moderna) está na gráfica, sem previsão de lançamento, e conta a história de cinco formigas, sendo que Mirinda teria descoberto a navegação ao atravessar um córrego numa casca de amendoim. Fora isso, Braff iniciou a escrita de outro juvenil. "Vou me divertir com esse até o fim do ano", avisa o escritor de Taquara (RS), radicado há 23 anos em Serrana, a 20 quilômetros de Ribeirão Preto.

Aos 71 anos, Menalton Braff dedica suas aulas como professor a apenas a duas manhãs semanais. Agora percorre apenas 1,5 quilômetro de sua casa até a escola e não mais os desgastantes 1,5 mil quilômetros semanais, entre sete cidades. "Posso ir a pé à escola se quiser, e não tenho mais saúde e resistência para aquelas viagens", avisa o escritor. "No restante de meu tempo estou lendo e escrevendo." Braff tem outros quatro livros já prontos: Jardim Europa (contos) e os romances Bolero de Ravel, O Tempo de Espanto e Tapetes de Silêncio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.