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15 de Abril de 2010

 

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Brasil entra no radar dos investimentos tecnológicos

15 de julho de 2010 | 0h 00
Clayton.netz@grupoestado.com.br - O Estado de S.Paulo

No primeiro semestre deste ano, quem quisesse se esconder do economista Alessandro Teixeira, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), teria grande chance de se dar bem caso escolhesse o primeiro andar do edifício onde está instalada a sede do organismo, em Brasília, e que abriga o escritório de Teixeira. Naquele período, ele contabilizou quatro viagens à China, cinco aos Estados Unidos, seis à Europa, três à África, duas ao Caribe, além de algumas dezenas de visitas aos países vizinhos da América Latina.
"Nada mais natural que isso aconteça", diz Teixeira, 38 anos de idade. "O presidente de uma agência de promoção comercial não pode ficar sentado em uma cadeira confortável, à espera de que as coisas caiam no seu colo." Espécie de caixeiro viajante do governo, Teixeira aposta na eficácia da realização massiva de eventos como feiras e seminários, no exterior e no País, como forma de lapidar a imagem internacional e abrir novos mercados para as empresas brasileiras. Quando assumiu o comando da Apex, em 2006, foram realizados 550 eventos. Para este ano, a expectativa é chegar a pelo menos 900.
Internamente, o saldo é a ampliação da participação das empresas nacionais, sobretudo as de pequeno e médio porte, nesse esforço exportador. Segundo ele, em quatro anos o número de empresas que participam de algum dos projetos setoriais tocados pela Apex (80, atualmente) mais do que dobrou, passando de 5,6 mil, em 2006, para as atuais 12 mil. Como consequência, a fatia do grupo de companhias que trabalham sob o guarda-chuva da agência saltou de 6% para 16,8% no ano passado, sendo responsável por US$ 25,7 bilhões dos US$ 155 bilhões exportados pelo Brasil. "A participação seria ainda maior caso fossem contabilizadas apenas as exportações de bens manufaturados, que predominam na pauta das empresas Apex", diz Teixeira, que prevê uma volta aos patamares próximos ao período pré-crise para o comércio exterior brasileiro. "Devemos chegar a US$ 180 bilhões até dezembro."

Recém-reeleito presidente da Associação Mundial das Agências de Promoção de Investimentos (Waipa, na sigla em inglês), Teixeira está animado com as perspectivas de fortalecimento de uma das facetas menos conhecidas da Apex, a da atração de investimentos estrangeiros. Segundo ele, com a retranca da economia da União Europeia e com a ainda vagarosa recuperação da americana, os países emergentes, como o Brasil, China e Índia, tendem a ser vistos como opções para o investimento direto estrangeiro (IDE), não mais apenas nos setores de mão de obra intensiva, mas também no chamado nicho high tech. "Nosso parque tecnológico não é o melhor, mas também não é o pior do mundo", diz Teixeira. "Estamos num nível de médio desenvolvimento nessa área."

Os sinais de que o Brasil entrou no radar das empresas de tecnologia e de inovação podem ser medidos pelo número de consultas preliminares de investimentos cadastrados pelo governo: há nada menos de 350, das quais cerca de 70 estão num estágio mais avançado de detalhamento de projeto. Ele lembra que, somente nos últimos 12 meses, foram confirmados projetos como o Centro de Pesquisas da GE, o smartlab da IBM, a fábrica de vacinas da Novartis, o Centro de Desenvolvimento global da HCL Technologies, além da fábrica dos smartphones BlackBerry. "Além desses, temos pelo menos cinco projetos a serem anunciados até o final do ano, em setores como energia e farmacêutico", diz Teixeira. "Só aí são alguns bilhões de dólares em investimentos produtivos, de uma qualidade diferenciada."

US$ 6,6 bi foi o valor das vendas no mercado brasileiro de defensivos agrícolas em 2009, de acordo com a Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef)

EMBALAGENS
Tetra Pak aumenta produção em 10%
O aumento da demanda por produtos com embalagens seguras no mercado interno está levando a subsidiária brasileira da sueca Tetra Pak a expandir em cerca de 30% a capacidade de sua fábrica de Ponta Grossa, no Paraná. Segundo Eduardo Eisler, vice-presidente de estratégia de negócios da Tetra Pak, a produção paranaense aumentará em cerca de 1,5 bilhão de embalagens ao término do projeto em 2012, um acréscimo de mais de 10% sobre as 11 bilhões de unidades produzidas em suas duas fábricas brasileiras em 2009. A Tetra Pak, que detém mais de 90% do mercado de embalagens de leite longa vida, espera neste ano um aumento entre 7% e 10% em relação aos R$ 2,8 bilhões de receita de 2009.

COMUNICAÇÃO
Cresce importância da internet para o consumidor
Uma pesquisa da consultoria Accenture mapeou os meios de atendimento preferidos de cerca de 3 mil consumidores de serviços de comunicações de 18 das economias mais importantes do mundo, entre elas o Brasil. O estudo concluiu que 75% dos entrevistados optam por aprender sobre novos serviços primeiramente pela internet, e que 51% preferem renovar seus contratos na rede. A ida a uma loja física prevalece na hora de comprar um novo produto (65%) e para utilizar um novo aparelho ou serviço (38%).
O irregular serviço de atendimento telefônico ao consumidor (SAC), porém, ainda mantém um público fiel. O motivo principal alegado pelos consumidores para ligar para as centrais telefônicas são problemas nos produtos ou serviços, com 58% das indicações dos consultados pela Accenture. Metade dos clientes contata as telefonistas apenas para reclamar.

RESÍDUOS
Empresas de lixo crescem com rigidez da legislação
A aprovação pelo Senado da Lei 354/89, que estabelece critérios mais rígidos no tratamento de resíduos sólidos, vai exigir investimentos de R$ 1,3 bilhão dos municípios brasileiros nos próximos quatro anos, prazo estipulado pela nova lei para a substituição dos chamados lixões no País por aterros sanitários. Além do meio ambiente, quem sai ganhando com a legislação são as empresas de tratamento de resíduos, que faturaram R$ 1,5 bilhão no ano passado. As empresas devem obter uma taxa de crescimento anual de 15% nos próximos quatro anos, período de transição para as novas regras.

IMÓVEIS
Gafisa oferece aplicativo para auxílio em compra
A construtora Gafisa já registrou cerca de 1,5 mil downloads de seu aplicativo para iPhone, que auxilia os interessados em comprar imóveis. O programa, cujo arquivo pode ser baixado gratuitamente no site da Apple Store, possibilita o armazenamento de detalhes da propriedade, como a metragem dos quartos, endereço e avaliação do cliente sobre diversos itens, além de oferecer todo o catálogo de imóveis da Gafisa. O aplicativo também serve para guardar informações de imóveis de outras construtoras. "O próximo passo será um programa compatível com o software para smartphone do Google, o Android", diz Eduardo Alves, responsável pelo projeto.

IDIOMAS
Fisk atrai alunos com encanto de Hollywood
Dona de um faturamento de R$ 600 milhões em 2009, a escola de idiomas Fisk, de São Paulo, lançou uma campanha publicitária no valor de R$ 4 milhões com o objetivo de aumentar em 15% seu faturamento neste ano. Protagonizada pela atriz Grazielli Massafera, a "Pop Star Fisk" vai sortear dez passagens com destino a Hollywood, meca do cinema mundial. A Fisk conta com 500 mil alunos em suas mil escolas distribuídas pelo Brasil, Argentina, EUA, Japão e Paraguai.

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