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Brasil faz festa dupla na prova paulistana

Ouro para a mineira Maria Zeferina e para o gaúcho Claudir Fernandes

02 de junho de 2008 | 0h 00
Amanda Romanelli - O Estadao de S.Paulo

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Após dois anos de domínio queniano, o Brasil voltou a colocar seus corredores no lugar mais alto do pódio da Maratona Internacional de São Paulo. A mineira Maria Zeferina Baldaia, que esteve muito perto de conquistar a classificação para a Olimpíada de Pequim, tornou-se bicampeã - havia vencido em 2002 - ao superar os 42.195 m em 2h42min20. No masculino, comemorou o gaúcho Claudir Fernandes (2h17min07). Os africanos, normalmente fortes candidatos à vitória, tiveram em Rotich Chemlany (5º na prova masculina, com 2h18min46) sua melhor colocação.

Maria Zeferina, que ficou a 1min34 do índice olímpico (2h37) na Maratona de Hamburgo, há um mês, precisou convencer o técnico Cláudio Castilho de que tinha condições de correr. Normalmente, os atletas participam de apenas uma maratona por semestre. ''Mas meu coração dizia que eu deveria competir'', disse a atleta, de 35 anos. ''Já que não iria mais para Pequim, abusei um pouquinho.'' Voto vencido, Cláudio comemorou o resultado da pupila, que sofreu com lesões em série e apenas no ano passado voltou à boa forma. ''Muitas vezes, dessas briguinhas é que saem bons resultados.''

Maria Zeferina comentou que o nível técnico da prova foi equilibrado. ''A partir do quilômetro 25, o bicho pegou.'' Sempre no pelotão principal, ela começou a rivalizar com Edielza Alves dos Santos, 2ª colocada (2h42min44), nos últimos 10 km. Venceu com uma escapada no fim. As outras três posições no pódio também foram nacionais, com Marizete Moreira, Luzia Pinto e Sueli Vieira.

Na chegada, a vencedora chamou atenção pelo visual. Usava meiões, manguetes e luvas. Acostumada a treinar no calor de Sertãozinho, no interior paulista, sofreu com o frio de ontem - os termômetros não passaram dos 14°C. ''Ainda bem que comprei essas peças em Hamburgo. Me ajudaram a suportar o frio.''

Já Claudir Fernandes não se incomodou com o clima. Natural de Santa Maria (RS), treina em Campos do Jordão com o ex-maratonista Luiz Antônio do Santos, vencedor da primeira edição da prova paulistana, em 1995. ''Me senti em casa com o friozinho'', disse o corredor, que fez uma prova tática, avançando à liderança apenas no fim do percurso. Animado com a vitória, na segunda vez em que terminou a corrida, não dispensou o chimarrão para comemorar.

O ''PADRINHO'' RONALDO

Dez anos atrás, o Brasil conheceu um Ronaldinho que brilhava na Europa. Mas no asfalto. Em setembro de 1998, o mineiro Ronaldo da Costa tornou-se recordista mundial ao vencer a Maratona de Berlim em 2h06min05.

Já aposentado, Ronaldo esteve ontem no Parque do Ibirapuera, na condição de padrinho do Mundial de Meia-Maratona, que será realizado no Rio, em outubro. Espera-se que o atual recordista da distância, o etíope Haile Gebrselassie - que fez 2h04min26 em outubro de 2007, também em Berlim -, venha correr no Brasil.



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