''Brasil precisa recuperar nível de arrecadação''
Estudo de comissão presidida por Nobel aponta que persistir na redução de impostos acaba pondo em risco a retomada do crescimento sustentável
Medidas emergenciais de combate à crise, como redução de impostos e ampliação do crédito, são necessárias, mas podem colocar em risco o crescimento sustentável de economias como a brasileira. É preciso ter cautela na aplicação e habilidade para retroceder no momento certo, mantendo as políticas de longo prazo adotadas antes da crise.
O alerta é do economista americano Danny Leipziger, vice-presidente da Comissão de Crescimento e Desenvolvimento, patrocinada entre outros organismos pelo Banco Mundial e o governo da Austrália. Formada por 19 especialistas e presidida pelo prêmio Nobel de Economia, Michael Spence, a comissão passou dois anos estudando as 13 economias que cresceram a uma taxa média de 7% ao ano, ou mais, por pelo menos 25 anos, desde o fim da 2ª Guerra Mundial.
Danny Leipziger esteve ontem em Belo Horizonte para a primeira apresentação do Relatório do Crescimento no Brasil, um dos 13 países estudados pela comissão. Segundo ele, será preciso recuperar os níveis de arrecadação pré-crise do Estado brasileiro para conseguir sustentar políticas de longo prazo, como investimentos em saúde, educação e infraestrutura. "É preciso equilibrar as necessidades de curto prazo e as políticas necessárias de longo prazo", afirmou. O economista americano lembrou que medidas como redução de carga tributária são ações de retrocesso difícil porque haverá uma pressão social para a manutenção do benefício. Pelos próximos cinco anos, disse, a economia mundial não crescerá no ritmo acelerado que vinha crescendo nos últimos cinco. O mercado mundial se tornará ainda mais competitivo.
Por isso, será fundamental, segundo ele, que a União mantenha sua capacidade de investimentos.
O Relatório do Crescimento, que será distribuído para todos os chefes de Estado e ministros da Economia, mostra que o crescimento rápido e sustentado não acontece espontaneamente e exige um compromisso de longo prazo por parte dos líderes políticos de cada nação. País algum, aponta o relatório, jamais sustentou crescimento elevado sem altas taxas de investimento público.
O relatório relaciona o impacto dos investimentos em saúde na primeira infância com crescimento econômico. Segundo o texto, determinados problemas que afetam a saúde de crianças de até 6 anos causam consequências na vida adulta delas, afetando sua capacidade de desenvolvimento e trabalho. "Se isso afeta uma parcela significativa da população, isso vai afetar, no longo prazo, o desenvolvimento econômico do país como um todo", disse a economista Maureen Lewis, membro da comissão e assessora do departamento de Desenvolvimento Econômico do Banco Mundial.
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