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Brasil quer mapear pontos de contaminação

25 de janeiro de 2012 | 3h 12
O Estado de S.Paulo

Os processos químicos são responsáveis por boa parte do conforto que a humanidade alcançou nas últimas décadas, mas também por impactos ambientais e acidentes graves.

"Acidente químico pode ser o tombamento de um caminhão, um incêndio dentro de uma fábrica, uma explosão de um compartimento com amônia - ou ainda contaminação de lençóis freáticos", afirma a diretora de Qualidade Ambiental na Indústria, do MMA, Sérgia Oliveira.

Ela afirma que há imensa demanda com relação a substâncias específicas no Brasil, como agrotóxicos, mercúrio, chumbo e amianto.

"Nós não temos uma política de substâncias químicas em geral no Brasil. Tratamos as substâncias muito pontualmente. Por isso, é mais complicado mapear se conseguimos - ou não - gerenciar todas as substâncias químicas no País. Essa é uma preocupação permanente", diz Sérgia.

Ela afirma que o MMA está fazendo um esforço de tratar o assunto de forma integrada.

"Trabalhamos muito atendendo a obrigações decorrentes de convenções internacionais, o que inclui vários agrotóxicos. Estamos fazendo um mapeamento de passivos de contaminação por poluentes orgânicos persistentes, os chamados POPs."

O mapeamento servirá para identificação de hotspots de contaminação, que necessitam uma atuação mais intensiva.

"Também fizemos um inventário de dioxinas e furanos, para saber quais os setores da economia que mais os produzem."

As dioxinas são conhecidas como as substâncias mais tóxicas que o homem já criou.

Química verde. Na tentativa de tornar menores os impactos das atividades químicas, no início da década de 90 surgiu a chamada "química verde". O professor Eder João Lenardao, do Laboratório de Síntese Orgânica Limpa da Universidade Federal de Pelotas, afirma que essa vertente da química se ocupa de todo o ciclo de vida do produto, desde a forma como é extraído até a logística de transporte e produção. "Também as condições a que estão expostos os trabalhadores da indústria e, posteriormente, a utilização dos produtos e o que acontece depois que foram usados ", explica ele, citando o caso do bisfenol, recentemente retirado do mercado.

"A química verde tem a ver com redução: de matéria-prima, de derivados não desejados, de resíduos, de impacto ambiental, do gasto de energia. E substituir os derivados de petróleo, que são mais de 95% de toda a matéria prima da indústria química atualmente", diz Lenardao.

A química verde tem 12 princípios, um deles o uso de matéria prima de fontes renováveis.

"O polietileno de bioetanol continua não sendo biodegradável, mas o CO2 gerado vai ser capturado pela cana. Já é um ganho." / K.N.