Brics querem ser alternativa ao G-7
Chefes de Estado e de governo de Brasil, Rússia, Índia e China - os chamados Brics - realizam hoje, em Ecaterimburgo, na Rússia, a primeira reunião de cúpula dos grandes emergentes com dois objetivos precisos. O primeiro é oficial: coordenar ações em áreas como a reforma do sistema financeiro e da governança política mundial. O segundo não foi admitido por nenhum dos líderes reunidos: servir como contrapeso à reunião dos sete países mais ricos do mundo (G-7), que deve ocorrer de 8 a 11 de julho, em Áquila, na Itália.
Veja também:
Países emergentes discutem alternativa ao uso do dólar
Brasil e Argentina acertam "troca" de moeda
Países do BRIC se reúnem em busca de nova ordem mundial
As medidas do Brasil contra a crise
As medidas do emprego
De olho nos sintomas da crise econômica
Dicionário da crise
Lições de 29
Como o mundo reage à crise
Outro tema que cria expectativa são as discussões sobre a criação de uma moeda de reserva internacional ou o uso de moedas locais no comércio entre os países emergentes, como alternativa ao dólar. Segundo o ministro da Fazenda Guido Mantega a discussão sobre o o uso das moedas nacionais estará na pauta do encontro em Ecaterimburgo.
A cúpula será aberta na manhã de hoje na terceira maior cidade da Rússia, aos pés dos montes Urais, e terá a presença dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da Rússia, Dmitri Medvedev, e da China, Hu Jintao, e do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh. Será a primeira vez que os líderes dos quatro grandes emergentes se reúnem, oficializando um grupo político cuja origem conceitual é creditada ao banco Goldman Sachs, que criou o acrônimo para designar as futuras potências econômicas mundiais.
E é dessa forma que os quatro líderes pretendem ser vistos hoje. Detentores de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, de 15% do comércio internacional, de 40% da população e de 25% das terras habitáveis do planeta, o grupo deseja pesar mais no campo político. Daí o jogo de bastidores com o G-7, o clube dos países mais ricos, expresso em manifestações como a do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na sexta-feira, em Paris: "O G-8 (G-7 mais a Rússia) morreu".
A pretensão de fazer dos emergentes uma força política também está subentendida no comunicado sobre os objetivos da cúpula, divulgado pelo Kremlin ontem: discutir "as perspectivas de diálogo entre o Grupo dos Oito (G-8) e seus parceiros tradicionais", em especial em temas como a reforma do sistema financeiro.
Fortalecidos pela retomada econômica, que já se manifesta na China, na Índia e no Brasil, os Brics desejam mais voz em instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. O argumento foi endossado pelas recentes contribuições anunciadas pela China - US$ 50 bilhões -, Rússia e Brasil - US$ 10 bilhões cada - ao FMI. Em troca, os emergentes desejam ampliar seu peso político no órgão. "O reaquecimento da economia mundial depende fortemente do sucesso das economias dos Brics", afirmou em comunicado o primeiro-ministro indiano.
Siga o @estadao no Twitter
- 18:11 Dilma diz que manterá conteúdo local ...
- 17:54 Nova diretoria do Secovi-SP toma posse hoje
- 17:37 Procon-SP autua 53 empresas por mau atendimento
- 17:31 Avião da Gol colide com aeronave da Lan ...
- 17:06 Nova presidente da Petrobras fala ...
- 17:05 Crise e gerra cambial afetam exportação ...
- 17:01 Em despedida, Gabrielli ressalta ...
- 16:59 Petrobrás sobreviveu a todos os ...
- 16:57 Graça Foster declara fidelidade ...
- 16:39 Minha gestão será de continuidade, ...









