Búzios fecha praia após contaminação no mar

Ao menos 60 banhistas tiveram sintomas de intoxicação após nadar na Praia da Tartaruga; suspeita é de que navio tenha despejado produto químico

Thaise Constancio / Rio, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2014 | 02h05

Pelo menos 60 pessoas apresentaram sintomas de intoxicação após frequentar a Praia da Tartaruga, em Búzios, na Região dos Lagos fluminense, nesta semana. A água tinha uma mancha de um produto químico ainda desconhecido. A suspeita é de que um navio tenha despejado na água uma substância para diminuir o mau cheiro de banheiros químicos. A prefeitura interditou a praia na manhã de ontem.

Dos 60 banhistas, 20 foram atendidos no Hospital Municipal Dr. Rodolpho Perissé com náuseas, irritação nos olhos, lesões na pele e problemas nas vias respiratórias, de dor de garganta a quadro de bronquite. Cinco pessoas com conjuntivite foram levadas para o hospital da cidade vizinha de Araruama, onde ficaram em observação.

"Orientamos as pessoas a não frequentar a praia porque a substância se decompõe muito rápido. De ontem (quinta) para hoje (sexta), a mancha já sumiu da água, mas ainda é possível sentir o produto químico no ar", afirmou o secretário de Meio Ambiente e vice-prefeito de Búzios, Carlos Alberto Muniz. Ele esteve na Praia da Tartaruga na manhã de ontem e apresentou alguns sintomas iguais aos dos banhistas, como ardência nos olhos e desconforto nas vias respiratórias.

A mancha tinha 200 metros de comprimento e 40 metros de largura. A principal hipótese é de que, acidentalmente ou não, um navio que seguia para o Rio e ficou atracado na orla de Búzios até quinta tenha despejado o produto. A suspeita de que seria esgoto foi descartada porque a água manteve coloração e odor normais.

Técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) encontraram manchas com tonalidade alaranjada e aspecto oleoso nas pedras da praia. Duas amostras da água foram recolhidas em horários diferentes e serão analisadas. O laudo ficará pronto na quarta-feira.

No acesso à praia, guardas informam frequentadores sobre a interdição. Funcionários de quiosques e os poucos moradores da praia foram orientados a sair.

Histórico. Segundo o secretário, no verão de 2013 uma mancha semelhante apareceu na Praia de Manguinhos, mas, por causa da rápida decomposição, não foi possível identificar a substância. Nos dois casos, só havia um navio atracado em Búzios.

"Ninguém vai para uma praia paradisíaca para ser atingido por produtos químicos. Esse episódio desgastou a imagem da cidade e pode causar impactos na visitação. Vamos apurar as causas e processar os responsáveis", disse Muniz. De acordo com o secretário, "o causador do desequilíbrio" pode ser multado (entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão) e o comandante do navio, preso.

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