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Câmbio flutuante entra na agenda

Segundo Henrique Meirelles, sugestão brasileira de discutir o desequilíbrio cambial foi acatada no G-20

07 de novembro de 2009 | 0h 00
Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL, SAINT ANDREWS, ESCÓCIA - O Estadao de S.Paulo

A sugestão do governo brasileiro de incluir a volatilidade cambial nas discussões do G-20 sobre os desequilíbrios econômicos foi acatada pelos ministros reunidos em Saint Andrews, na Escócia. Quem assegura é o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Ele ressaltou, no entanto, que a proposta será discutida dentro dos debates sobre Desenvolvimento Sustentável do G-20, e que nada garante que haverá padronização do sistema de câmbio flutuante, defendida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. "O Brasil levantou de fato a questão dos desequilíbrios cambiais", afirmou Meirelles, e o tema "foi incluído entre as políticas que serão discutidas".

A proposta brasileira entra, assim, no escopo de medidas que serão discutidas ao longo de 2010. O foco central dos debates é eliminar os desequilíbrios econômicos internacionais, como o consumo excessivo em países como os Estados Unidos, e o crescimento baseado em exportações em economias como a da China e a da Alemanha.

RESPONSABILIDADE FISCAL

Pela agenda aprovada ontem, em janeiro os países-membros do G-20 apresentarão seus relatórios de "boas práticas" econômicas. O Brasil, diz Meirelles, relatará políticas como a responsabilidade fiscal, a política cambial e a formação de reservas, além de reportar indicadores econômicos.

De posse dos relatórios de todos os países, os corpos técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial vão elaborar um relatório com a análise da consistência e da coerência de cada política. Em junho, quando for realizada a reunião de cúpula no Canadá, o G-20 vai apresentar um rol de "boas práticas" aos líderes políticos, que terão a opção de adotar ou não as sugestões.

Além da agenda, outro tema tratado foram os pacotes de estímulo. De acordo com o comunicado final da reunião, os ministros concordaram com a necessidade de manutenção dos incentivos à recuperação da atividade econômica. Na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) já havia antecipado que planeja o início do fim das medidas extraordinárias.