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Canção da Terra, de Mahler, em excelente leitura nacional

Versão rara da primeira obra-prima do século 20 sai em CD

10 de setembro de 2009 | 0h 00
João Marcos Coelho - O Estadao de S.Paulo

A Algol lança o CD A Canção da Terra, de Gustav Mahler, hoje, às 18h30 na Livraria Cultura, em São Paulo, e amanhã, às 19 h, na Livraria Argumento, no Leblon, Rio. Ele já nasce histórico e precisa ser devidamente comemorado. Marca a primeira gravação brasileira dessa obra-prima do século 20, composta e estreada há exatamente 100 anos, em Nova York, pelo próprio Mahler. E de um modo especialíssimo. Não se trata de mais um registro em CD entre os 187 disponíveis, por exemplo, no site da Amazon, mas de uma versão emblemática e rara. Trata-se do arranjo que Arnold Schoenberg deixou incompleto da Canção da Terra, em que o luxuriante acompanhamento orquestral original reduz-se a uma orquestra pequenina, formada por dois violinos, viola, violoncelo, contrabaixo, flauta, oboé, clarineta, trompa, piano, harmônio/celesta e percussão (só completado em 1980 pelo musicólogo alemão Rainer Riehm).

Ouça trecho de Von der Jugend


A excelente leitura brasileira está a cargo do tenor Fernando Portari e do barítono Rodrigo Esteves, acompanhados por um grupo de músicos regidos pelo maestro Carlos Moreno. São alguns dos mais notáveis instrumentistas atuantes em São Paulo, como os violinistas Constanza de Almeida Prado e Ricardo Amado, o violanista Renato Bandel, a cellista Ji Yon Shim, o contrabaixista Alexandre Rosa, o flautista Renato Kimachi, o oboísta Alexandre Ficarelli, o clarinetista Giuliano Rosas, o fagotista José Eduardo Flores, o trompista André Ficarelli e o pianista Fábio Caramuru; Cecília Moita alterna-se no harmônio e na celestra; e Richard Fraser (tímpanos) e Joaquim Abreu (percussão) completam o Ensemble Algol.

A intenção de Schoenberg era executar este ciclo de seis canções inspiradas em antigos poemas chineses, adaptados por Hans Betghe, em sua Sociedade de Execuções Musicais Privadas. Esse foi o projeto iluminista de sua vida: funcionou entre 1918 e 1921 em Viena, teve até 300 assinantes e visava à promoção de interpretações de alto nível da música contemporânea e de suas fontes mais próximas. Por três temporadas, fez 117 concertos e foram executadas 154 obras, cronologicamente datadas de Mahler em diante. Neste caso, a necessidade virou virtude. Os arranjos, reduções e transcrições frequentaram os concertos da sociedade vienense por causa dos recursos escassos.

Mas não eram muletas. Essa prática "permite ouvir e julgar obras sinfônicas modernas desembaraçadas de toda a sua sedução sonora.(...) Então pode-se saber como rebater a habitual objeção que se faz a respeito da música moderna, segundo a qual tais obras devem sua força de persuasão apenas em função de uma instrumentação mais ou menos rica, e não a todas as qualidades que até agora qualificaram a boa música: melodia, riqueza harmônica, polifônica, perfeição da forma, arquitetura", escreveu Alban Berg no folheto de apresentação da sociedade em 1918.

Esse arranjo de A Canção da Terra não chegou a ser levado ao palco. A Sociedade deixou de existir antes de Schoenberg completá-lo. Ficou, no entanto, a semente desse belo projeto iluminista, que germinou primeiro nos anos 50, no famoso Domaine Musical de Pierre Boulez; e agora em São Paulo, de dois anos para cá, idealizado por Heraldo Marin, editor da Algol (editora de livros focada na música clássica que começa a firmar-se também como selo clássico importante na cena brasileira). O seu é um autêntico projeto iluminista musical. Bom para os músicos, melhor ainda para o País, que ganha produções muitíssimo bem cuidadas, da qualidade técnica da gravação à produção editorial, com folheto em quatro línguas, incluindo o português (pela primeira vez, com tradução dos poemas chineses para o português), em textos precisos de Lauro Machado Coelho. Sem contar o excelente nível de interpretação, tanto de Portari e Esteves como do grupo de músicos, coesos em torno da competente regência de Moreno numa obra tecnicamente dificílima. E pelo preço de um CD nacional.


Serviço

Das Lied von der Erde (A Canção da Terra). De Gustav Mahler. Algol. R$ 35. Livraria Cultura. Avenida Paulista, 2.073, Conjunto Nacional, tel. 3170-4033. Hoje, 18h30


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