Casa Branca tenta impedir queima do Alcorão
Cerimônia planejada por igreja para marcar o 11/9 colocaria soldados em risco no Afeganistão, diz governo
WASHINGTON - A Casa Branca mobilizou-se ontem contra o anúncio de uma obscura igreja do Estado da Flórida que pretende realizar uma cerimônia de queima de exemplares do Alcorão, o livro sagrado do Islã, no dia 11. A fogueira teria como objetivo relembrar os ataques terroristas de 2001 nos EUA.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, declarou que a iniciativa colocará as forças americanas no Afeganistão em risco ainda maior, e o secretário de Justiça, Eric Holder, declarou que a queima do Alcorão seria "idiota e perigosa".
Em Cabul, o comandante das forças dos EUA e da Otan no Afeganistão, general David Petraeus, advertiu que a imagem dessas cópias em chamas "inflamará a opinião pública local" e levará extremistas no país a pregar a violência. Os EUA mantêm mais de 78 mil soldados na guerra do Afeganistão.
"Eu me preocupo muito com as repercussões potenciais da possível queima (do Alcorão). Só o rumor de que isso poderia ocorrer causou protestos como o de segunda-feira", afirmou Petraeus à agência de notícias Associated Press, referindo-se às manifestações na capital afegã. "Se essa queima for realizada, a segurança dos nossos soldados e civis será posta em perigo e teríamos dificuldades em cumprir nossa missão."
Com sede em Gainesville, Flórida, a igreja Dove World Outreach (Alcançar um mundo de paz) é liderada por Terry Jones, autor do livro The Islam is of the Devil (O Islã é do Demônio, em tradução livre). Em 2009, Jones distribuiu camisetas com o mesmo título impresso e iniciou uma espécie de "doutrinação eletrônica", com a criação de um blog e de um grupo na rede social Facebook, além de alimentar a página que já mantinha na internet.
Embora tenha adotado uma linguagem anti-islâmica em sua pregação, a igreja considera como "obra do demônio" qualquer religião que não tenha raiz cristã. Jones manteve ontem seu compromisso de fazer uma fogueira com exemplares do Alcorão no sábado, apesar de não ter recebido uma autorização municipal e dos alertas feitos pelo governo americano, pelo Vaticano e pelo Irã. "Ainda estamos considerando (queimar o Alcorão) e orando por esse plano", afirmou Jones.
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