CBF veta a entrada de árbitros acima dos 30 anos
Os veteranos são bem-vindos nos times do País, mas na arbitragem as portas se fecharam. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) instituiu que somente profissionais com até 30 anos - antes era até 35 - podem ingressar ou reingressar no quadro nacional de árbitros para apitar jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil. As federações têm até hoje para enviar a relação de juízes. A medida gerou polêmica e revolta.
"Ela só vai prejudicar a carreira dos árbitros. Não faz sentido. Vários auxiliares e juízes já querem abandonar a carreira, já que quem tiver mais de 30 anos e não fizer parte do quadro nacional só pode apitar jogos dos estaduais, que duram apenas três meses", declarou o presidente da Federação Pernambucana, Carlos Alberto de Oliveira.
A CBF distribuiu, em dezembro, circular com as novas diretrizes para entrar no quadro nacional. Segundo o documento, obtido pelo Estado, os árbitros devem ter, no mínimo, 21 anos completos e, para ingresso ou reingresso, 30 anos, no máximo. Precisa ter sido aprovado nos testes físicos e na avaliação teórica elaborada pela comissão de arbitragem da CBF, e atuado em partidas da 1ª Divisão nos últimos dois anos.
A resolução não afeta o árbitro com mais de 30 anos que já faça parte do grupo. "Mas, se ele não passar no teste físico, será cortado do quadro nacional e pode ter de encerrar a carreira", argumenta o presidente da Comissão de Arbitragem da Federação do Rio, Jorge Rabello. "A ruptura de cinco anos (de 35 para 30 anos) é um desastre", afirma. "Os árbitros no exterior começam até com 16 anos. Aqui não."
Na visão do ex-árbitro Antônio Pereira da Silva, presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Goiana, a faixa entre 28 e 33 anos é o momento da afirmação profissional. "Isso vai matar muitos valores."
Já o presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista, coronel Marcos Marinho, afirmou que a medida vai afetar pouco os árbitros de São Paulo. Dos 16 que serão indicados, apenas dois estão ingressando. E até concorda com a determinação. "No futebol moderno, o grau de exigência é muito grande. O árbitro precisa acompanhar todos os lances em cima. Então, a idade pesa", explica. Marinho concorda, porém, que não haveria problema se a idade limite fosse de 35 anos.
A CBF informou que tomou essa decisão para renovar o quadro nacional de arbitragem.
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